Médico psiquiatra suspeito de abuso sexual e estupro é preso em Marília O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu manter a prisão preventiva do médico psiquiatra Rafael Pascon dos Santos, acusado de estupro e importunação sexual contra pacientes na região de Marília (SP). A decisão, à qual o g1 teve acesso nesta quarta-feira (16), foi tomada de forma unânime pela Sexta Turma da Corte. A defesa havia pedido a liberdade de Rafael Pascon por meio de habeas corpus, alegando que a prisão foi decretada sem fundamentação adequada e baseada apenas na gravidade dos crimes. Participe do canal do g1 Bauru e Marília no WhatsApp Também argumentou que não há provas suficientes e que medidas alternativas à prisão poderiam ser adotadas neste caso. No entanto, o STJ entendeu que não poderia analisar o pedido neste momento. Isso porque o pedido de habeas corpus ainda não foi julgado completamente pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, e a legislação impede que instâncias superiores analisem esse tipo de pedido antes da decisão final do tribunal de origem, salvo em situações excepcionais. Segundo os ministros, não foi identificada nenhuma ilegalidade evidente que justificasse uma intervenção imediata do STJ. Ao g1, a defesa do médico disse que ainda aguarda o julgamento do habeas corpus pelo TJSP. LEIA TAMBÉM SUSPEITA DE MAUS-TRATOS: Morre idosa internada com necrose e sinais de sedação após deixar clínica geriátrica em Tupã EVENENAMENTO EM MARÍLIA: Polícia investiga como estudante de medicina que morreu intoxicada por arsênio conseguiu substância FISCALIZAÇÃO EM JAÚ: Passageiro é preso após polícia flagrar vídeos de abuso sexual infantil em celular durante abordagem em ônibus Mesmo assim, o relator destacou que a prisão preventiva possui fundamentos concretos. De acordo com o processo, há relatos vítimas com descrições semelhantes de condutas atribuídas ao investigado, incluindo comportamentos inadequados durante atendimentos profissionais. A decisão também considerou o risco de repetição dos crimes, a possibilidade de interferência na investigação e a necessidade de garantir a ordem pública. Para o tribunal, medidas cautelares alternativas não seriam suficientes neste caso. Com isso, o STJ negou o recurso da defesa e manteve a situação atual do investigado, que segue preso. O processo continua em andamento na Justiça estadual, onde o mérito do pedido de habeas corpus ainda será analisado. Réu em dois processos Rafael Pascon dos Santos, que atuava em uma clínica particular de Marília (SP) e no Caps de Garça (SP), foi preso na tarde de quarta-feira (22) Reprodução/Facebook Rafael Pascon é réu em dois processos na Justiça. Em um deles, que começou a tramitar após decisão da Justiça de fevereiro deste ano, duas pacientes afirmam ter sido vítimas de toques, comentários e condutas de conotação sexual durante atendimentos psiquiátricos. Os relatos são semelhantes aos que embasam o primeiro processo, que tramita na Justiça desde o ano passado e levou à prisão preventiva do médico. Rafael está preso desde o dia 22 de outubro. Primeiro processo No primeiro processo, que segue em andamento, o réu participou uma audiência no dia 21 de janeiro deste ano. A sessão ocorreu de forma virtual e foi a primeira do casa. O conteúdo não foi divulgado pela Justiça. Ainda nesse processo, o juiz determinou que o plano de saúde com o qual o psiquiatra mantinha contrato fornecesse informações sobre o número de profissionais disponíveis para atendimentos entre janeiro de 2024 e novembro de 2025. A medida tem o objetivo de esclarecer o contexto dos atendimentos realizados pelo médico no período investigado. Os crimes investigados teriam ocorrido durante consultas médicas nas cidades de Marília, Garça e Lins, no interior de São Paulo. De acordo com a Polícia Civil, as vítimas, com idades em torno dos 30 anos, relataram situações de importunação sexual semelhantes às descritas em outras ocorrências. Somando os dois processos nos quais Rafael é réu, são 32 denúncias contra o médico, incluindo casos de importunação sexual e estupro. Prisão e indiciamento Rafael foi preso preventivamente em 22 de outubro de 2025, em Marília, após diligências no consultório e na casa dele. O médico se apresentou à Delegacia de Marília acompanhado por advogados. O inquérito foi concluído em 31 de outubro, com indiciamento por importunação sexual e estupro de vulnerável. No depoimento marcado para o mesmo dia, o médico permaneceu em silêncio. O pedido de habeas corpus foi negado em 10 de novembro, e a Justiça também rejeitou a solicitação de revogação da prisão. Rafael segue preso na penitenciária de Gália (SP). Mais de 30 denúncias Rafael Pascon dos Santos atuava em uma clínica particular de Marília e no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de Garça (SP). Mulher acusa psiquiatra de estupro durante consulta em Marília; número de denúncias cresce Após as seis primeiras vítimas denunciarem o médico psiquiatra na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Marília, um registro foi feito por uma paciente que afirmar ter sido estuprada pelo profissional. Em entrevista à TV TEM na época das denúncia, a vítima, que preferiu não se identificar, relatou que o abuso começou no começo da consulta, realizada no consultório particular do suspeito, em agosto de 2024, quando o médico a chamou de "gostosa". Veja o depoimento no vídeo acima. "Quando ele foi colocar meu nome na agenda, na recepção, ele me deu um abraço e sussurrou alguma coisa no meu ouvido que eu não entendi, me levou de volta para a sala dele e me estuprou. Eu realmente travei e fiquei em choque e com medo de fazer alguma coisa, porque estava de noite e o consultório estava vazio. Fiquei com muito medo", relatou. Além disso, alegou tentar esquecer o que aconteceu, mas, após as denúncias das seis vítimas, decidiu prestar depoimento também. "É um pesadelo que parece que vivi. Por muito tempo eu me silenciei e tentei esquecer, mas uma mulher foi corajosa o suficiente para denunciar e fez com que tudo, infelizmente, voltasse à tona de novo para mim. Eu fui atrás de denunciar também para conseguir colocar, talvez, um fim em alguma parte disso." Segundo Renata Yumi Ono, delegada da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Garça, uma das vítimas, de 65 anos, relatou que os abusos aconteceram em 2018, durante consultas no Caps do município. Ela afirmou que o profissional começou a ter comportamentos inapropriados, como abraços e gestos de intimidade, e que, em uma das consultas, chegou a segurá-la contra o corpo e a encostar a boca em seu pescoço para "inalar o seu perfume". Outro registro é de uma mulher de 43 anos, que contou ter sido beijada à força pelo mesmo profissional durante uma consulta em 2022. A vítima disse ter ficado em estado de choque e interrompido o acompanhamento médico após o episódio. Outra vítima de Garça registrou boletim de ocorrência na DDM no dia 17 de outubro, após a divulgação dos casos. A jovem, atualmente com 24 anos, disse à polícia que passou pelo atendimento no Caps em 2018, quando tinha 17 anos. Segundo a delegada, a jovem não denunciou o caso na época por não entender a gravidade do fato, mas, ao perceber que existiam outras vítimas, resolveu procurar a polícia. O caso foi registrado como importunação sexual. No relato, a jovem disse que a mãe costumava acompanhá-la nas consultas, mas, em uma ocasião, precisou iniciar o atendimento sem a presença dela. Nesse dia, segundo ela, o médico mudou o comportamento e começou a fazer perguntas íntimas e, ao final da consulta, a acompanhou até a porta e a puxou pelo punho e beijou o canto de sua boca. Depois do ocorrido, a jovem ainda retornou duas vezes a consultas por conta da necessidade da medicação, uma delas com um amigo (e relatou que o médico ficou bastante incomodado com a presença dele), e depois apenas para retirada da receita do remédio. Vítimas relataram situações de importunação sexual envolvendo o médico psiquiatra em Marília Reprodução/TV TEM Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Bauru e Marília. VÍDEOS: assista às reportagens da região