O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, esteve no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira para uma rodada de conversas com cinco ministros da Corte, entre eles o presidente, Edson Fachin, e o vice-presidente, Alexandre de Moraes. Aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, o governador teria feito apelos a Moraes para que o antigo mandatário seja colocado em prisão domiciliar. De acordo com interlocutores de Tarcísio, Moraes foi o único dos cinco ministros com quem o tema da domiciliar de Bolsonaro foi tratado. Em outra visita recente do político ao Supremo, uma ofensiva em prol da transferência do ex-presidente para o regime domiciliar já tinha sido feita. Nesta terça-feira, o senador Flávio Bolsonaro também se reuniu com Moraes e pediu a mudança de regime para o pai. Segundo os relatos feitos ao GLOBO, Tarcísio teria argumentado a Moraes sobre a questão da saúde e das condições em que ele se encontra. Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado e está preso desde 15 de janeiro no 19º Batalhão da Polícia Militar, em Brasília, conhecido como Papudinha. O ex-presidente, contudo, precisou ser internado no dia 13 de março no hospital DFStar após ser diagnosticado com pneumonia bacteriana, e chegou a ser transferido para uma UTI. Em razão disso, a defesa do ex-presidente apresentou um novo pedido de prisão domiciliar e alegou questões de saúde, afirmando que existe a necessidade de mais cuidados médicos. De acordo com a última petição, relatórios médicos apontam que o ex-presidente tem histórico de doenças respiratórias, apneia do sono e outras comorbidades, o que exigiria monitoramento contínuo e resposta médica imediata em caso de intercorrências. Como mostrou o GLOBO, um grupo de ministros do STF avalia que a eventual concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente pode funcionar como uma forma de proteção institucional da própria Corte, diante do agravamento de seu quadro de saúde e dos possíveis desdobramentos políticos do caso. Integrantes do governo e do PT também têm considerado, sob reserva, que a piora clínica indica que chegou o momento de o ex-presidente voltar a cumprir pena em casa. Na Papudinha, a cela onde Bolsonaro está preso tem área total de 64,83 metros quadrados — dimensão equivalente à de um apartamento padrão de dois quartos — sendo 54,76 m² de área coberta e 10,07 m² de área externa. A estrutura inclui banheiro, cozinha, lavanderia, quarto, sala e área externa. As acomodações contam com cozinha com possibilidade de preparo e armazenamento de alimentos, banheiro com chuveiro de água quente, geladeira, armários, cama de casal e televisão.