Seleção feminina de futebol do Irã volta ao país após pedidos de asilo e é homenageada em Teerã

A seleção feminina de futebol do Irã recebeu uma grande recepção das autoridades em Teerã nesta quinta-feira (19), ao retornar da Austrália, onde se viu envolvida em uma controvérsia relacionada ao hino nacional e a diversos pedidos de asilo durante a Copa da Ásia. Impasse: Federação do Senegal irá recorrer no CAS de decisão polêmica que dá título da Copa de Nações ao Marrocos Em meio a conflito: Irã vai 'boicotar os EUA, não a Copa do Mundo', diz presidente da federação Sete membros da delegação iraniana no torneio — seis jogadoras e um integrante da comissão técnica — solicitaram asilo na Austrália inicialmente, após terem sido taxados de "traidores" em seu país de origem por não cantarem o hino nacional antes de uma partida, em meio ao conflito envolvendo a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Cinco dos pedidos de asilo foram posteriormente retirados, com apenas duas jogadoras dando prosseguimento às suas solicitações. Essas duas atletas permaneceram na Austrália. As jogadoras iranianas Fatemeh Pasandideh (à esquerda) e Atefeh Ramezanisadeh seguem na Austrália após pedido de asilo Reprodução / Instagram / @brisbaneroarfc Ativistas de direitos humanos acusaram as autoridades iranianas de pressionar as famílias das jogadoras, convocando seus pais para que comparecessem a interrogatórios. "O regime iraniano começou a ameaçar suas famílias, que foram, em certo sentido, tomadas como reféns. Por essa razão, elas foram forçadas a retirar seus pedidos de asilo e retornar ao Irã", escreveu nas redes sociais Shiva Amini, uma ex-jogadora de futebol da seleção iraniana que hoje vive no exílio e defende os direitos das mulheres. Milhares de iranianos, muitos deles portando bandeiras, se reuniram nesta quinta-feira na Praça Valiasr, em Teerã, para dar as boas-vindas às atletas, segundo imagens transmitidas pela televisão estatal. "Minha decisão. Minha pátria", dizia um enorme painel na praça, retratando as jogadoras usando o hijab islâmico e saudando a bandeira do Irã. Multa e penalidade: Comitê Disciplinar da Fifa aplica sanções a Associação de Futebol de Israel Ao chegarem de ônibus, as jogadoras, trajando vestimentas escuras e usando o véu obrigatório, receberam flores antes de subirem ao palco. — O que é certo é que estas atletas são leais à pátria, à bandeira, ao Líder e à Revolução — afirmou o presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, cercado pelas integrantes da equipe. "Bem-vindas ao Irã" — Todos os iranianos estavam à espera delas. Bem-vindas ao Irã — acrescentou a porta-voz do governo iraniano, Fatemah Mohajerani, uma das mulheres mais proeminentes do cenário político iraniano. Teerã acusa a Austrália de ter incitado as atletas a pedir asilo. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou na quarta-feira que as jogadoras haviam "decepcionado os inimigos" da República Islâmica ao resistir "às armadilhas e intimidações de elementos anti-Irã". Após deixar a Austrália, a equipe fez uma escala em Kuala Lumpur, na Malásia, antes de voar para Omã na segunda-feira, de onde embarcou em um voo para Istambul na terça-feira. A delegação chegou ao Irã na quarta-feira, após cruzar a fronteira com a Turquia. De lá, percorreram 900 quilômetros por via terrestre até a capital Teerã. Na Copa Asiática feminina, o Irã foi eliminado na fase de grupos com três derrotas em três partidas, contra Coreia do Sul, Austrália e Filipinas.