Lula diz que vaga de vice está aberta para Alckmin, mas candidatura ao Senado ‘ajuda mais’

O presidente Lula (PT) afirmou nesta quinta-feira, 19, que a vaga de vice na chapa de reeleição “está aberta” para o atual ocupante do cargo, Geraldo Alckmin (PSB), mas pressionou publicamente para que o aliado tente disputar uma cadeira ao Senado pelo estado de São Paulo. Segundo ele, o grupo adversário “não tem candidato” para ganhar a eleição da Casa e, ao mesmo tempo, o recém anunciado pré-candidato ao governo, Fernando Haddad, ministro da Fazenda, precisa de uma chapa forte para vencer o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). — Eu ficarei imensamente feliz em ter o Alckmin vice outra vez. É um companheiro que eu aprendi a gostar, de muita lealdade, com muita competência de trabalho, um executivo extraordinário, ele só me ajuda. Mas você tem que conversar com o Haddad para saber onde colheremos mais frutos dele. Ser candidato ao Senado ajuda mais — disse Lula. — Se ele for meu vice, estou tranquilo, mas o Haddad precisa de uma chapa para ganhar. E eles não tem candidato para ganhar da gente. Não sei se o Geraldo vai ser candidato ao Senado. A vaga de vice está aberta para ele — completou o petista. Candidatura de Haddad O PT anunciou, nesta quinta-feira, 19, a pré-candidatura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao governo do estado de São Paulo. O partido repete, assim, a estratégia adotada há quatro anos, quando o político chegou ao segundo turno, mas foi derrotado pelo atual ocupante do cargo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). A confirmação ocorreu por meio de pronunciamento no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo. Lula e Haddad no lançamento da candidatura ao governo de SP Edilson Dantas / O Globo Lula fez um relato do modo como convenceu Haddad a entrar na disputa: — Eu tive uma conversa com Haddad e disse o seguinte: a situação política do Brasil e do mundo é tão grave que se a gente não pegar as melhores pessoas que a gente tem em cada estado e fazer a luta pela democracia, corremos o risco de entregar mais uma vez a democracia na mão dos fascistas que fizeram um estrago tão grande — disse ele. O anúncio era esperado desde semana passada e se concretizou após duas agendas de uma comitiva do governo federal no estado — uma caravana com prefeitos, pela manhã, e uma homenagem ao ex-presidente uruguaio Pepe Mujica, no final da tarde. No sindicato, à noite, Lula e Haddad falam à militância em um local simbólico, onde o líder petista iniciou a sua trajetória política como dirigente da categoria e organizou greves de operários que dariam origem ao PT. O evento teve a presença dos ministros Luiz Marinho (Trabalho), Guilherme Boulos (Secretaria-Geral), Camilo Santana (Educação) e Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar), além do vice-presidente Geraldo Alckmin e parlamentares e aliados. Haddad alegou que entra na disputa para ganhar e que foi escolhido dentro de um debate sobre o “melhor arranjo para apresentar a São Paulo, com as melhores chances de vitória e de transformação do nosso estado”. — Não disputo eleição para barganhar qualquer coisa que seja, eu disputo eleição para ganhar. A vitória política é sempre possível, basta você se apresentar de cara limpa, com um bom projeto, que vai angariar apoio, crescer e despertar as pessoas. Vamos ter um debate duro pela frente, mas que pode resultar nesse despertar tão importante para o povo paulista — afirmou o pré-candidato.