Gilmar anula quebra de sigilo do fundo que comprou parte do resort ligado a Dias Toffoli O ministro do Supremo Gilmar Mendes suspendeu a quebra de sigilo do fundo que comprou parte do resort ligado ao ministro Dias Toffoli. O fundo de investimento Arleen comprou de dois irmãos do ministro Dias Toffoli, em 2021, parte das cotas que eles tinham em um resort no Paraná, o Tayayá. O fundo Arleen pagou R$ 3,1 milhões na operação, segundo a Junta Comercial do Paraná. As cotas estavam em nome da empresa Maridit, que pertence à família de Toffoli. O fundo Arleen, por sua vez, era administrado pela Reag Investimentos. A Polícia Federal investiga a Reag e o Banco Master. Segundo o BC, as duas instituições montaram um esquema de operações combinadas para inflar o patrimônio do grupo de Daniel Vorcaro. O Banco Central liquidou o Master em novembro de 2025 e a Reag, em janeiro de 2026. Em fevereiro, o ministro Dias Toffoli deixou a relatoria do caso Master depois de admitir ser sócio da empresa que vendeu participação no resort para fundos ligados a Vorcaro. Toffoli afirmou que não atuava na administração da empresa da família e rejeitou qualquer relação pessoal com Daniel Vorcaro. Os integrantes da CPI do Crime Organizado aprovaram a quebra de sigilo fiscal e bancário do fundo Arleen em bloco - que é quando os parlamentares analisam vários requerimentos de forma conjunta. Foi nesse ponto que o ministro Gilmar Mendes baseou sua decisão de anular a quebra de sigilo. O ministro afirmou que a quebra de sigilo é uma medida excepcional e que precisa ser analisada separadamente, e anulou a quebra de sigilo aprovada pela comissão. “Diante da gravidade de que se reveste o requerimento de quebra de sigilo, a Constituição demanda, ainda segundo aquela decisão, análise fundamentada de cada caso, com debate e deliberação motivada, de modo que a aprovação de atos de tal natureza não pode ocorrer em bloco nem de forma simbólica”, escreveu o ministro. No fim de fevereiro, Gilmar Mendes havia anulado a quebra de sigilo da Maridit, empresa da família de Toffoli. O ministro alegou que a decisão da CPMI configurou desvio de finalidade, que não estava ligada ao objetivo de investigação da comissão. O presidente da CPI do Crime Organizado, senador Fabiano Contarato, do PT, declarou nesta quinta-feira (19) que decisões dessa natureza inviabilizam e esvaziam o poder investigatório do Parlamento; que vai recorrer da decisão e que a comissão não se curvará a qualquer tentativa de obstrução. Ministro Gilmar Mendes, do STF, anula quebra de sigilo do fundo que comprou parte do resort ligado a Dias Toffoli Jornal Nacional/ Reprodução CPMI do INSS Nesta quinta-feira (19), a CPI mista do INSS convidou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e ao ex-presidente Roberto Campos Neto para prestar depoimento. Como não são convocações, a presença deles não é obrigatória. A CPMI apura irregularidades em créditos consignados concedidos por instituições financeiras - entre elas, o Master - a aposentados e pensionistas. Os depoimentos de Galípolo e Campos Neto só devem ser marcados se os trabalhos da comissão forem prorrogados. O prazo termina na semana que vem. O presidente da CPMI, senador Carlos Viana, do Podemos, pediu ao Supremo a prorrogação porque também não teve resposta do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, do União Brasil. A decisão, no Supremo, cabe ao ministro André Mendonça. O próprio presidente da CPMI terá de apresentar explicações ao STF. Neste caso, sobre emendas parlamentares de autoria dele. O ministro Flávio Dino deu cinco dias úteis para que Carlos Viana e o Senado esclareçam supostas irregularidades no envio de R$ 3,6 milhões para a Fundação Oasis, braço social da Igreja Batista da Lagoinha. O cunhado de Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, era pastor de uma das unidades da Igreja Batista da Lagoinha. Segundo as investigações da PF, Zettel era o responsável por intermediar e operar pagamentos para a organização criminosa chefiada por Daniel Vorcaro. Os dois estão presos. O senador Carlos Viana negou irregularidades nos repasses. LEIA TAMBÉM Gilmar Mendes anula quebra de sigilo do fundo Arleen, que comprou participação em resort ligado a Toffoli Rota do dinheiro: entenda a triangulação entre fundos, resort e empresa da família Toffoli