A escalada da guerra no Oriente Médio voltou a colocar a economia global sob tensão, principalmente por causa da alta do preço do barril de petróleo, que reacendeu o temor de inflação, instabilidade e fuga de capitais. Sede do Itaú BBA na Faria Lima | Imagem: Reprodução/Google Street View Todavia, segundo Itaú BBA , o Brasil, desta vez, não está no centro da tempestade. Saiba mais: Nova tributação sobre dividendos pode provocar fuga de US$ 35 bilhões, prevê Itaú Pelo contrário: o país atravessa o choque externo com uma combinação rara de fatores que funcionam como amortecedores, ainda que não eliminem os riscos. Selic elevada ajuda a estabilizar o cenário Durante a apresentação do "Itaú Macro em Pauta", os economista do banco explicaram que a principal linha de defesa da economia brasileira continua sendo a Selic, mantida em patamar elevado mesmo após o recente corte realizado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) . Saiba mais: O otimismo dos analistas com o Brasil Com juros significativamente acima dos praticados em economias desenvolvidas, o Brasil segue atraindo capital estrangeiro. Um fator crucial em momentos de aversão global ao risco. Esse diferencial ajuda a conter a desvalorização do real, mesmo diante de um cenário internacional turbulento. Na prática, isso significa que o país consegue evitar um dos efeitos mais comuns em crises externas: a fuga abrupta de dólares e a disparada da moeda americana. Saiba mais: Itaú pede ressarcimento de R$ 6,6 mi a ex-diretor financeiro e contador por supostas irregularidades Não por acaso, o câmbio tem se mantido relativamente estável, girando em torno de R$ 5,20 a R$ 5,30, segundo o Itaú BBA . Petróleo transforma risco global em vantagem brasileira Se, no restante do mundo, o petróleo é sinônimo de preocupação, no Brasil ele também representa uma oportunidade. O país tornou-se exportador líquido da commodity, com um superávit de cerca de US$ 29,6 bilhões no setor. Isso garante entrada de dólares e reforça as contas externas justamente no momento em que o mercado global se mostra mais instável. Além disso, para o Itaú BBA trabalha com um cenário em que o conflito não se prolongue indefinidamente. Nesse caso, o choque nos preços do petróleo tende a ser temporário — reduzindo o risco de uma crise mais profunda e prolongada. “O fechamento [do estreito] deve durar pelo menos até metade de abril. Se não tiver nenhuma novidade, se seguir fechado, o preço seguirá subindo. A assimetria versus o preços atuais é de preços mais altos e não mais baixos, olhando para a frente. Para voltar abaixo de US$ 100 precisa ter solução para guerra e não existe expectativa de curto prazo, mas não existe expectativa de guerra o ano todo – justamente porque a relevância do local ali é gigantesca”, disse o economista do Itaú BBA, Pedro Schneider. Inflação no radar: combustíveis são o ponto sensível Apesar dos amortecedores, há um canal claro de transmissão da crise: os combustíveis. O aumento do petróleo no mercado internacional pressiona diretamente a inflação brasileira. Segundo estimativas do Itaú, cada alta de 10% na gasolina pode adicionar cerca de 0,20 ponto percentual ao índice de preços. Esse efeito coloca o Banco Central do Brasil em posição delicada. De um lado, há espaço para cortes de juros; de outro, o risco inflacionário exige cautela. O resultado é um cenário de política monetária mais conservadora por parte dos Bancos Centrais, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. A guerra elevou o grau de incerteza global e já começa a alterar o comportamento das autoridades monetárias. O aumento da cautela entre bancos centrais, que passaram a reavaliar cortes de juros diante da possibilidade de inflação mais persistente. Para os economistas do Itaú BBA, o conflito no Irã pode atrasar o alívio monetário que os mercados vinham esperando. Um fator que tende a reduzir o crescimento global. Brasil 'à margem mas não imune Para os economistas do Itaú o Brasil está relativamente bem posicionado para atravessar a crise sem grandes danos, ao menos no curto prazo. A combinação de juros altos, fluxo de dólares via petróleo e estabilidade cambial cria uma espécie de blindagem parcial contra choques externos. A taxa de câmbio continua na faixa de R$ 5,20 e R$ 5,30, e para o Itaú BBA deve se manter nesse patamar. Segundo Julia Gottlieb, economista do Itaú BBA, a moeda brasileira “tem se comportado bastante bem”, sustentada por termos de troca favoráveis e pelo diferencial de juros ainda elevado. Mas há um limite. Se o conflito se prolongar, os efeitos podem se intensificar, especialmente via inflação, desaceleração global e maior aversão ao risco, piorando o câmbio e elevando o prêmio de risco para as economias emergentes. Como admitem os próprios economistas do Itaú BBA, a duração da guerra será o fator decisivo para determinar o tamanho do impacto. O post Juros altos e produção do petróleo poupam o Brasil de choque global por guerra no Irã, diz Itaú BBA apareceu primeiro em Revista Oeste .