O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deve dar nesta sexta-feira o último voto do julgamento realizado pela Segunda Turma que analisa a decisão que determinou a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro no último dia 4 de março. A sessão, em plenário virtual, está prevista para ser encerrada à noite. Presidente Lula comenta: ‘Master é o ovo da serpente de Bolsonaro e Campos Neto e não deixaremos pedra sobre pedra’ São Paulo: Haddad anuncia candidatura ao governo e promete impulsionar campanha de Lula Apesar do voto de Gilmar, decano da Corte, já há maioria desde a última sexta-feira, quando o julgamento começou, para manter o ex-dono do banco Master preso: os ministros André Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques votaram pela prisão. O voto de Gilmar vai ser proferido um dia após Mendonça, que é o relator do caso Master, ter determinado a transferência de Vorcaro para a superintendência da Polícia Federal em Brasília. Até então, o banqueiro estava detido no presídio federal do Distrito Federal. A transferência foi ordenada após um pedido da defesa, que menciona a intenção de Vorcaro de colaborar. Vorcaro é suspeito de liderar uma organização criminosa que contaria até com um "braço armado" para intimidar adversários do grupo, com uso de "coação por meio de sua milícia". Em seu voto, no qual foi acompanhado pelos ministros Luiz Fux e Nunes Marques, Mendonça afirmou que a Polícia Federal identificou e comprovou a prática de atos de ameaças concretas. Segundo o ministro, há indícios de que o "braço armado" de Vorcaro, como ele relatou, tinha mais integrantes e que alguns deles ainda não foram presos". Fux e Nunes Marques não divulgaram os votos. "Portanto, a organização ainda se apresenta como uma perigosa ameaça em estado latente, pois conta com integrantes que ainda estão à solta", disse Mendonça. Na decisão, o ministro rebateu ponto a ponto os argumentos apresentados pela defesa. De acordo com ele, a manutenção da prisão é necessária porque não há indício de que os crimes dos quais Vorcaro e os outros integrantes do grupo conhecido como 'A Turma' tenham cessado. "Nesse cenário, não se identifica qualquer indício de que as atividades ilícitas praticadas pela organização criminosa teriam cessado até o momento em que prolatada a decisão ora submetida a referendo. Bem ao contrário, do que já se conseguiu verificar, os elementos informativos apontam na direção oposta, ou seja, na permanência das atividades pelo grupo criminoso", afirmou Mendonça. Quando decretou a prisão de Vorcaro e seus aliados, Mendonça destacou que os crimes sob suspeita envolvem “valores bilionários”, com “impacto potencial” no sistema financeiro nacional, frisando ainda as evidências de tentativa de obtenção de informações sigilosas sobre investigações em andamento e monitoramento de autoridades. “Existem fortes indícios da existência de grupo destinado a intimidar adversários e a monitorar autoridades, o que revela risco concreto de interferência nas investigações”, completou. O ministro entendeu que a liberdade do banqueiro e demais investigados comprometeria a investigação e a “confiança social” na Justiça. Os investigadores classificaram Vorcaro e os alvos da terceira etapa da Compliance Zero como “profissionais do crime”. Segundo a PF, o banqueiro mantinha uma estrutura de vigilância e coerção privada, denominada “A Turma”, que era destinada à obtenção ilegal de informações sigilosas e à intimidação de críticos do Master. A polícia apontou que Vorcaro dava instruções para monitorar e agredir pessoas que considerava como desafeto ou adversário.