Princesa herdeira da Noruega diz ter sido 'manipulada e enganada' por Jeffrey Epstein

Caso Epstein abala políticos e Famílias Reais na Europa A princesa herdeira da Noruega, Mette-Marit, afirmou nesta sexta-feira (20) que foi “manipulada e enganada” pelo financista americano Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais. A informação foi divulgada Em entrevista à emissora pública NRK, a princesa disse que se arrepende da amizade com Epstein e lamentou ter se aproximado dele. “Fui manipulada e enganada. É claro que eu gostaria de nunca tê-lo conhecido”, afirmou. LEIA TAMBÉM: Caso Epstein: Departamento de Justiça dos EUA divulga mais 3 milhões de arquivos e diz que não protegeu Trump A princesa Mette-Marit e o príncipe Haakon falam à imprensa após visitar feridos no hospital neste domingo (24) AP Contato revelado em documentos A declaração ocorre após a divulgação, pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, de milhões de documentos relacionados ao caso Epstein. Os arquivos mostram que Mette-Marit manteve contato frequente com o financista entre 2011 e 2014, inclusive anos depois de ele ter se declarado culpado, em 2008, por aliciar uma menor de idade. Segundo os documentos, a princesa chegou a se hospedar por quatro dias na casa de Epstein em Palm Beach, durante uma viagem particular em 2013. Apesar da relação, ela não é acusada de nenhum crime. “Nunca vi nada ilegal”, disse à NRK. Os registros divulgados também mostram um e-mail de 2011 em que a princesa afirma ter pesquisado Epstein no Google e comentou que a situação “não parecia muito boa”, seguido de um emoji sorrindo. Questionada sobre a mensagem, ela afirmou que não se lembra do contexto em que a escreveu. “Se eu tivesse percebido que ele era um abusador sexual, jamais teria respondido dessa forma”, disse. Pressão sobre a família real A revelação de novos detalhes da relação com Epstein provocou críticas públicas e pedidos para que a princesa prestasse mais esclarecimentos. Em fevereiro, ela já havia divulgado um comunicado pedindo desculpas ao rei Harald V e à rainha Sonja da Noruega. Apoio do marido Durante a entrevista, o príncipe herdeiro Haakon da Noruega, marido de Mette-Marit, afirmou que apoia a esposa em meio à crise. “Mette é carinhosa, sábia e muito forte. É por isso que sempre estarei ao lado dela quando algo difícil acontecer”, disse. Outros problemas pessoais A princesa também enfrenta um momento delicado na vida pessoal. Ela sofre de uma doença pulmonar crônica que, no futuro, pode exigir um transplante de pulmão. Além disso, seu filho mais velho, Marius Borg Høiby, fruto de um relacionamento anterior, está sendo julgado acusado de estupro e violência doméstica. Ele nega as acusações mais graves. Queda na popularidade da monarquia Nos últimos meses, a popularidade da monarquia norueguesa também caiu. Uma pesquisa realizada pelo instituto Norstat e divulgada pela NRK mostrou que cerca de 60% dos noruegueses apoiam a monarquia — queda em relação aos 70% registrados em janeiro. Ao mesmo tempo, o apoio à transformação do país em república subiu de 19% para 27%. Europa e sua relação com Epstein O escândalo envolvendo Jeffrey Epstein também provocou repercussão política na Europa. No Reino Unido, o governo de Keir Starmer foi criticado após a nomeação de Peter Mandelson como embaixador em Washington, apesar de seus vínculos com Epstein. O príncipe Príncipe Andrew volta a enfrentar pressão para depor nos Estados Unidos. Na Eslováquia, um assessor do premiê Robert Fico renunciou após a divulgação de e-mails com Epstein. Já na França, o ex-ministro Jack Lang sofre pressão para deixar a presidência do Instituto do Mundo Árabe. Na Noruega, figuras públicas como a princesa herdeira Mette-Marit e o ex-primeiro-ministro Thorbjørn Jagland voltaram ao centro das atenções após a divulgação de novos documentos. Parlamentares discutem abrir uma investigação sobre possíveis vínculos com Epstein, enquanto Jagland também é investigado pela polícia norueguesa sob suspeita de corrupção — acusação que ele nega.