Desembargador aposentado preso ao se entregar à polícia por estuprar neta atuou em casos de exploração infantil no AM

Justiça determina prisão de desembargador aposentado condenado por estuprar a própria neta O desembargador aposentado Rafael de Araújo Romano, que conduziu casos de grande repercussão envolvendo violência e exploração sexual infantojuvenil no Amazonas, foi preso após se entregar à polícia nesta sexta-feira (20), em Manaus. Ele foi condenado a 47 anos de prisão por estuprar a própria neta, crime iniciado quando a vítima tinha sete anos. A prisão foi decretada em 2020, após o fim dos recursos. Romano deve cumprir a pena em regime fechado. A Justiça determinou também que órgãos competentes avaliem a perda do cargo público e eventual cassação da aposentadoria. O g1 tenta contato com a defesa. Entre 1992 e 2008, foi juiz titular da Vara da Infância e Juventude de Manaus, onde ganhou destaque em casos de crimes contra menore Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Em 2008, Romano foi promovido a desembargador do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM). Chegou a assumir a presidência da Corte em ocasiões específicas e se aposentou em 2015, aos 70 anos. Ao longo da carreira, Romano foi relator da "Operação Estocolmo", deflagrada em novembro de 2012 pela Polícia Civil para combater uma rede de exploração sexual de adolescentes em Manaus. A operação teve como alvos deputado estadual, o cônsul da Holanda e empresários locais. Em janeiro de 2014, o Pleno do TJAM aceitou por unanimidade a denúncia contra 20 suspeitos. Como relator, Romano votou pela transformação dos investigados em réus. Prisão de Adail Pinheiro Em fevereiro de 2014, Romano decretou a prisão preventiva do então prefeito de Coari, Manoel Adail Pinheiro, acusado de chefiar uma rede de exploração sexual de crianças e adolescentes. Na decisão, o desembargador afirmou haver "elementos irrefutáveis e indispensáveis à decretação da prisão preventiva" e destacou risco de continuidade dos crimes. RELATO: 'Sei que vai ter justiça', diz neta de desembargador do AM acusado de estupro Rafael Romano ocupa função desde terça Divulgação/TJAM Crime pelo qual foi condenado Segundo a investigação, os abusos começaram em 2009 e seguiram até 2016, quando a vítima tinha 14 anos. Romano é avô paterno da jovem. O caso foi revelado em 2018, quando a jovem contou à mãe, que procurou o Ministério Público. Em entrevista à Rede Amazônica, na época, a mãe disse ter recebido a notícia durante uma visita ao hospital. "Ela disse que tinha uma notícia muito grave para me contar. Ela disse 'meu avô está me molestando desde que eu era pequena'. Tomei um susto, precisei respirar, fiquei completamente sem chão", disse. A advogada também publicou um texto nas redes sociais chamando o ex-sogro de "monstro horroroso" e "pedófilo".