Mulheres que consomem menos alimentos ultraprocessados têm maior probabilidade de engravidar, de acordo com uma nova pesquisa da Universidade McMaster. O estudo analisou dados de mais de 2.500 mulheres que participaram do National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES) — uma pesquisa americana que combina entrevistas, registros alimentares de 24 horas e exames laboratoriais para obter informações detalhadas sobre dieta, dados demográficos, estado de saúde e biomarcadores. Ozempic: 8 medicamentos com semaglutida já estão em análise, diz Anvisa Fim da patente do Ozempic: quanto deve custar as novas versões da semaglutida no Brasil? Segundo os autores, a relação persiste mesmo após considerar fatores como idade, peso, estilo de vida e outros aspectos da saúde. Para o estudo, a infertilidade foi definida como a ausência de concepção após um ano de tentativas, e daquelas que não relataram esse quadro. Como resultado, as mulheres que relataram infertilidade consumiram mais alimentos ultraprocessados, representando cerca de 31% de sua ingestão diária, e apresentaram menor adesão à dieta mediterrânea, um padrão alimentar saudável rico em frutas e vegetais, grãos integrais e gorduras saudáveis. "A maior parte do que ouvimos sobre alimentos ultraprocessados se concentra em calorias e obesidade. Mas nossas descobertas sugerem algo potencialmente mais complexo — parece haver outro mecanismo em ação que pode refletir vias além de calorias ou peso, incluindo exposições químicas que foram hipotetizadas em estudos anteriores", explica Anthea Christoforou, professora assistente do Departamento de Cinesiologia e autora sênior do artigo. Mesmo que a ingestão de nutrientes pareça adequada, consumir mais alimentos ultraprocessados significa maior exposição a aditivos e substâncias químicas que vão além das calorias, acrescenta ela. Como tomar creatina corretamente para ganhar massa muscular? (Não em dias alternados e não misturada com outra substância) "Alimentos ultraprocessados frequentemente contêm substâncias químicas como ftalatos, BPA e acrilamidas, que podem se desprender das embalagens ou até mesmo das máquinas de plástico utilizadas durante o processamento. Sabe-se que esses compostos interferem nos hormônios, e isso pode ser parte do motivo pelo qual estamos observando essa ligação", afirma Angelina Baric, coautora do estudo e estudante de pós-graduação no Departamento de Cinesiologia. Dieta mediterrânea A dieta mediterrânea apresentou uma associação positiva com a fertilidade, mas esse benefício desapareceu quando a obesidade foi levada em consideração, sugerindo que seu efeito pode advir da ajuda na manutenção de um peso e metabolismo saudáveis. Os resultados foram publicados na revista Nutrition and Health e sugerem que o que comemos — e o grau em que é processado — pode influenciar a saúde reprodutiva de uma forma que vai muito além das calorias ou do peso. Mais do que isso, reforçam a necessidade de orientações dietéticas direcionadas a mulheres em idade reprodutiva. Embora o efeito possa parecer modesto em nível individual, em modelos ajustados, uma maior ingestão de alimentos ultraprocessados foi associada a uma redução de aproximadamente 60% na probabilidade de fertilidade. 'Bafo de Ozempic'? Uso de canetas emagrecedoras levanta alerta para efeitos na saúde bucal "Pouquíssimos estudos abordaram uma questão fundamentalmente específica para o público feminino. A fertilidade é um fator crucial, e esta é a primeira vez que alguém examina esses padrões alimentares e a infertilidade nessa escala", afirma Christoforou. Entretanto, os autores afirmaram que os resultados refletem associações, e não uma relação de causa e efeito. Mesmo assim, a magnitude dos resultados têm implicações significativas em nível populacional, dada a frequência com que os alimentos ultraprocessados são consumidos. "Não se trata de perfeição, mas sim de perceber como os alimentos são processados, escolher mais alimentos em seu estado natural e optar por ingredientes que você reconhece. Mesmo essa simples mudança pode diminuir a exposição a coisas que ainda não entendemos completamente”, diz Baric.