Auana Sagica Ribeiro, esposa de Mário, e o amante, Thiago Galvão Paulino, segundo a Polícia Civil Reprodução "A dor não acaba nunca", diz Maria Antônia Santos de Almeida, mãe do taxista Mário Araújo de Oliveira, morto a tiros aos 39 anos enquanto dormia, em setembro de 2023. A Polícia Civil concluiu que o assassinato foi planejado pela então esposa, Auana Sagica Ribeiro, de 26 anos, com ajuda de um amante, à época com 16 anos, e o tio dele, de 28. A ideia de Auana, segundo as investigações, era ficar com os bens do marido. Ela e Enoque Galvão Paulino, tio do amante, são réus desde novembro de 2024 e devem ir a júri popular. No entanto, a Justiça ainda não definiu a data. Atualmente, os dois respondem ao processo em liberdade. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp O suspeito Thiago Galvão Paulino, de 18 anos, apontado como amante de Auana e que, à época do crime, era adolescente, ainda responde pelo caso na Vara da Infância e da Juventude. A reportagem procurou Auana Sagica, mas ela não quis se manifestar neste momento sobre o caso. A defesa de Thiago Galvão, que está preso por outro crime, não foi localizada. Enoque Gavão não foi localizado pela produção. Três anos depois da morte de Mário, a família tenta entender o motivo do caso ainda não ter sido julgado. Para a mãe da vítima, a perda do filho é agravada pela sensação de impunidade. "Perder um filho de acidente, tudo bem, mas meu filho estava bonzinho, trabalhando. Ele trabalhava na casa dele. A gente quer justiça, porque já era pra estar todo mundo preso", desabafa Maria Antônia. Segundo as investigações, Auana contou com a ajuda do amante, Thiago, e do tio dele, Enoque Galvão Paulino. O trio forjou um assalto à residência do casal para tentar encobrir o homicídio premeditado. O Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR) também foi procurado para informar quando o caso será levado a júri popular, mas não respondeu até a última atualização da reportagem. Familiares cobram agilidade no processo Em 22 de janeiro de 2026, a Justiça determinou que Auana vá a júri popular. O processo contra um dos executores do crime, Enoque Galvão Paulino, de 28 anos, foi desmembrado pela Justiça, porque ele segue foragido. O terceiro envolvido, Thiago Galvão Paulino, que era menor de idade na época do crime e hoje tem 18 anos, responde na Justiça especializada. A investigação identificou um áudio vazado, em que o ele confessa "friamente" a autoria dos disparos contra Mário. Auana responde ao processo em liberdade pelos crimes de homicídio qualificado e corrupção de menores. Isso porque em novembro de 2024, a Justiça negou um pedido de prisão preventiva feito pela polícia. A defesa da acusada recorreu da decisão que a mandou a júri em janeiro deste ano, por conta disso, a data do julgamento ainda não foi marcada. Familiares do taxista pedem agilidade na conclusão do processo. Reviravolta no caso Inicialmente, o crime foi registrado como latrocínio, que é o roubo seguido de morte, porém, a (PC) descobriu que a invasão foi, na verdade, uma farsa armada para encobrir um assassinato planejado. Minutos antes do crime, o adolescente e o tio dele, Enoque, estavam em um bar próximo à casa e pediram o celular de um homem emprestado. Eles usaram o aparelho para avisar Auana que estavam a caminho, mas devolveram o telefone sem apagar as mensagens. No dia seguinte, ao ler as conversas, o dono do celular tentou extorquir R$ 20 mil de Auana pelo seu silêncio. Como não recebeu o pagamento, ele enviou as capturas de tela das mensagens para as irmãs de Mário, entregando a prova fundamental da trama à família. O inquérito também aponta que Auana mantinha um relacionamento extraconjugal com o adolescente. As provas mostraram que, na noite do crime, Auana facilitou a entrada dos assassinos na residência. Para simular o assalto, a dupla entrou no quarto encapuzada e um deles gritou "eu falei que ia voltar". Em seguida, Enoque imobilizou o taxista com uma "gravata", enquanto o adolescente atirou três vezes com o revólver calibre .38 da própria vítima. Para sustentar a versão de roubo, os executores fugiram levando o carro de Mário, um veículo Fiat Strada que foi abandonado poucas horas depois. Além das mensagens no celular, a polícia anexou ao processo um áudio vazado em que o adolescente confessa friamente a autoria dos disparos. Segundo o inquérito, a principal motivação de Auana era financeira. Suspeitas logo após o crime Em processo de separação não amigável, Auana planejou a morte do marido para ficar com todo o patrimônio, sem precisar dividir a casa, o táxi e o alvará de circulação. Essa ambição ficou evidente também porque, logo no dia seguinte ao assassinato, Auana procurou o filho da vítima acompanhada de um advogado para tentar um acordo rápido sobre a divisão exclusiva dos bens O cunhado do taxista, Edivan Alves, destacou que a vítima era uma pessoa pacífica e sem inimizades. Ele relembrou que as desconfianças da família sobre a participação de Auana no crime começaram logo após a morte. "Logo no outro dia, quando o corpo dele chegou, a gente começou a suspeitar porque ela não demonstrou sentimento. Em algum momento ela mostrava ar de deboche, chegou a sorrir", contou Edivan. Assim como a mãe de Mario, o cunhado fez um apelo à Justiça. "A gente pede compaixão com a família, que faça mais rápido o trabalho. Pela quantidade de provas, a gente sabe que tem como acelerar esse processo para a família poder dormir se sentindo mais aliviada", conclui. Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.