Os brinquedos sexuais já fazem parte da vida íntima de milhões de pessoas e estão amplamente disponíveis tanto em lojas físicas quanto online. Nos Estados Unidos, mais de 40% de homens e mulheres heterossexuais já incorporaram vibradores à rotina sexual. No Canadá, mais de três quartos da população afirmam ter usado algum tipo de brinquedo sexual com um parceiro ao menos uma vez, incluindo vibradores, acessórios anais e masturbadores penianos. As taxas variam em outros países ocidentais: 16% dos australianos dizem já ter utilizado esses produtos, enquanto na Alemanha o índice chega a 52%. Ozempic: 8 medicamentos com semaglutida já estão em análise, diz Anvisa Atenção: mais da metade das postagens do TikTok sobre TDAH é enganosa, revela análise Mas esses dispositivos deixaram de ser apenas versões analógicas de dildos e masturbadores. Nos últimos anos, tornaram-se mais sofisticados com a chegada dos chamados teledildônicos — aparelhos conectados à internet projetados para simular elementos da intimidade humana, como o toque genital, o calor corporal, movimentos sincronizados e sensações orgásticas, mesmo sem a presença física de um parceiro. Esses dispositivos podem ser sincronizados com conteúdos pornográficos online, integrados à realidade virtual ou controlados remotamente por outra pessoa, permitindo experiências de intimidade à distância. Com a expansão dessa tecnologia, surge uma questão central: os teledildônicos podem promover o bem-estar sexual? Estudos indicam que o uso de brinquedos sexuais, seja individualmente ou em parceria, está associado a maior satisfação sexual. Uma pesquisa mostrou que o uso de vibradores vaginais ajuda mulheres a alcançar maior excitação, melhor lubrificação e orgasmos com mais facilidade. Dia Internacional da Felicidade: entenda como a positividade tóxica pode prejudicar a saúde As motivações para o uso são variadas. Em um estudo canadense, o principal motivo apontado foi apimentar a vida sexual com um parceiro. Outras razões incluem aumentar a excitação durante a masturbação ou o sexo a dois, facilitar o orgasmo e, em menor escala, relaxar ou aliviar tensões. No caso dos teledildônicos, uma pesquisa aponta que 9% dos adultos nos Estados Unidos já utilizaram esses dispositivos, com maior prevalência entre homens (15%), em comparação com mulheres (5%) e pessoas de gênero diverso (13%). Apesar do crescimento do uso, ainda há poucas informações sobre as motivações específicas e os impactos desses aparelhos no bem-estar, especialmente em comparação com os brinquedos tradicionais. Um estudo conduzido pela Universidade do Québec analisou 617 homens entre 19 e 75 anos, todos clientes de uma empresa especializada em brinquedos sexuais interativos conectados por aplicativo. A maioria dos participantes vivia na América do Norte (74%) e na Europa (22%). Da antiguidade aos emojis: por que o coração se tornou o símbolo universal do amor? Os resultados mostram que quase todos utilizavam os dispositivos sozinhos, mas 21% também os integravam ao sexo com parceiros. Aqueles que usavam os aparelhos em conjunto tendiam a possuir mais dispositivos e relataram maior número de parceiros sexuais ao longo da vida — o que pode indicar maior conforto em compartilhar esse tipo de experiência. O uso em parceria também foi associado a maior bem-estar sexual. Homens que utilizavam teledildônicos com parceiros relataram maior desejo sexual, mais facilidade para atingir o orgasmo e maior confiança como parceiros. Em outras palavras, aqueles que incorporam esses dispositivos à vida sexual a dois podem experimentar benefícios superiores em comparação aos que os utilizam apenas de forma individual. O estudo também investigou as motivações por trás do uso. Para 57% dos participantes, os teledildônicos são utilizados principalmente para relaxar ou aliviar tensões. Pouco mais da metade afirmou usá-los para fantasiar sobre atividades sexuais não possíveis na vida real e para aumentar a excitação durante a masturbação. Já 38% destacaram como principal atrativo a possibilidade de integração com outras tecnologias, como realidade virtual e pornografia online. Entenda: Terapia não invasiva 'reinicia' o cérebro e reduz o ruído mental De modo geral, as motivações se assemelham às observadas no uso de brinquedos tradicionais, especialmente no que diz respeito ao relaxamento e ao aumento da excitação. Os pesquisadores apontam que os resultados são promissores e sugerem que os teledildônicos, especialmente quando utilizados em parceria, podem trazer benefícios à vida sexual. Também levantam a possibilidade de que essas tecnologias ajudem pessoas que enfrentam desafios como disfunções sexuais, limitações físicas ou dificuldade de acesso a parceiros — embora ainda sejam necessários mais estudos para confirmar esses efeitos. Por outro lado, o avanço do setor levanta questões importantes sobre segurança de dados, ética e consentimento digital. Entre as preocupações estão riscos de invasões, uso não autorizado e controle remoto sem consentimento. Garantir que esses dispositivos sejam desenvolvidos com foco em privacidade e segurança é essencial para que possam cumprir seu potencial como ferramentas de promoção do bem-estar sexual em um cenário de rápidas transformações. À medida que os teledildônicos e outras tecnologias sexuais evoluem, a tendência é que continuem a redefinir as formas de intimidade, prazer e conexão humana.