Ao longo da semana, as cartas dos leitores mostraram que temas como corrupção e impunidade, ambos associados ao caso Master e ao impacto no Supremo Tribunal Federal (STF), permanecem dominando o debate. A impunidade também entrou no foco dos leitores por outro ângulo: a determinação do ministro Flávio Dino, do STF, pelo fim da aposentadoria compulsória para juízes que cometerem faltas graves — uma punição considerada premiação — foi comemorada por alguns, enquanto outros encararam a ação com descrença. A família Bolsonaro nas eleições 2026 e a violência e insegurança no Rio foram outros assuntos em foco nas 94 cartas publicadas, entre aproximadamente 240 recebidas. Veja abaixo os assuntos que mais elevaram a temperatura das cartas. ️ Termômetro das cartas Caso Master/Corrupção — A referência ao caso está presente diretamente em 14 cartas, e indiretamente em 4 outras. O tom é de indignação com a escalada da corrupção, além do montante de desvios em vários níveis. '''Bora comprar um jatinho’. Enfim a frase-síntese do novo patamar atingido pela corrupção brasileira” (Evandro Pagy, do Rio, no dia 18). "(A corrupção) está mesmo dominando as conversas, posto que vem associada com a impunidade, que é sustentada pela enorme rede de rabos presos, formada pelos três Poderes e por sua promíscua relação com empresas e bancos". (José Ronaldo Ribeiro, do Rio, no dia 16) Bolsonaros nas eleições — As candidaturas dos irmãos Bolsonaro (Flávio, Carlos e Jair Renan), além de Michelle, a diferentes cargos no país renderam 8 cartas, a maioria com reações negativas. "Estou perplexa ao imaginar que a 'familícia' inteira pode voltar a mandar no Brasil! Será um desastre!" (Marisa Cruz, do Rio, no dia 13). "Só torço para que, diante da urna, brilhe uma luz sobre o eleitor, e ele se lembre da tentativa de golpe que quase derrubou a democracia, dos deboches de vítimas da Covid-19, da subserviência para entregar a soberania do país ao bufão Donald Trump e outros absurdos" (Antonio Couto, do Rio, no dia 14). Fim da aposentadoria compulsória para juízes com faltas graves — Outro tema que teve bastante representatividade no painel dos leitores, com 7 cartas que tanto elogiavam como também denotavam certo ceticismo sobre o cumprimento da medida implementada pelo ministro Flávio Dino. "Nota 10 para o ministro. Seria muito bom se tal medida pudesse ser estendida com o mesmo procedimento aos seus colegas do STF" (Paulo A. O. Nascimento, Teresópolis, RJ, no dia 17). "Alguém lúcido neste Brasil? Finalmente os magistrados punidos não serão mais premiados com suas aposentadorias compulsórias? Aguardando..." (Júlio André Monte Trigo, do Rio, no dia 18). Violência no Rio — A segurança pública, especialmente no Rio, esteve presente em 4 cartas, todas repercutindo a morte da médica Andréa Dias. "Ela tinha ido visitar os pais em Cascadura e foi abordada por três policiais. Foi fuzilada. As câmeras corporais dos PMs envolvidos estavam sem bateria. Todas. Por quê?" (Mauro C. Bandeira de Mello, do Rio, no dia 19) A Redação do GLOBO também selecionou trechos de cartas que ajudam a resumir o "humor da semana" na visão dos leitores. Leia a seguir: Frases da semana DIA 13/3 - “Mudam as circunstâncias e as palavras. O que não deveria mudar é a exigência de clareza nas relações entre dinheiro e poder.” (Metsu Yan, Rio) DIA 14/3 - ️“Ditadores, o mundo tem inúmeros, mas ditador do mundo, só um: Trump.” (Suely Niemeyer L. de Barros, Rio) DIA 15/3 - “Nunca senti tanta vergonha de vivenciar a degradação moral de uma nação, patrocinada por aqueles que deveriam dar o exemplo de lisura e dignidade.” (Glória Beaklini Serôa da Mota, Rio) DIA 16/3 - “A pergunta que não quer calar: quantos Vorcaros ainda existem?” (Luiz Antonio Duque Estrada Fº, do Rio, no dia 13). DIA 17/3 - “Um brasileiro ganhando o salário mínimo precisaria nada menos que 37 mil anos para juntar os US$ 170 milhões que Vorcaro gastou esquiando em Aspen, velando nas ilhas gregas, degustando uísque velho em Londres com ministros do STF etc..” (Gervase Shorter, Rio) DIA 18/3 - “Somos uma nação de covardes. Fosse em outro país, o povo estaria nas ruas pedindo a cabeça desses péssimos funcionários públicos. Só nos resta rezar.” (Fernando Bravo, Rio) Dia 19/3 - “O Rio continua lindo, como o sorriso de Andréa, porém, choramos, quase todos os dias, pela violência sem fim da cidade maravilhosa e triste, muito triste. Choremos.” (Roberto Solano, Rio) Um olhar sobre a natureza Macacos-prego são "carioca-raiz": não apenas nasceram no Rio, mas foram “inventados” aqui Custodio Coimbra / Agência O Globo Para além do noticiário sobre corrupção e violência, leitores também foram capturados pela reportagem sobre "os reis da floresta urbana", que alerta para os perigos que o ser humano representa para os macacos-prego, que vêm mudando hábitos alimentares e se acidentando mais por causa do contato estreito com a população da cidade. Leitores escreveram com doses iguais de embevecimento e preocupação. “Magistral o texto de Ana Lucia Azevedo sobre os macacos-prego que habitam a Floresta da Tijuca. Que leitura deliciosa. Fiquei triste quando cheguei ao final. Parabéns a ela, que, além de inteligente e ter o dom da escrita, é, como eu, fã de Cazuza. Mas isso só vai saber quem ler a matéria e também for fã do Exagerado”, comentou Herbert Luiz Rollemberg Cruz, do Rio, no dia 16. No mesmo dia o leitor Sergio Bula, também do Rio, criticou a administração do Parque Nacional da Tijuca, onde os animais vivem. “Há anos solicitei que retire as lixeiras do parque. Tais lixeiras são praticamente um comedouro automático permanente de junk-food e tornam esses pontos verdadeiros polos de atração aos macacos. A inércia para resolver a questão me faz pessimista sobre se estamos capacitados de verdade a fazer frente a desafios maiores na defesa de nossa biodiversidade. Tirem as lixeiras e botem placas educativas.” Os macacos!