Mudança no comando na PM do Rio emperra em briga política antes de renúncia de Castro

O governador Cláudio Castro (PL) exonerou 11 secretários que irão disputar as próximas eleições. Mas um nome do 1º escalão que é pré-candidato a deputado estadual ficou de fora: o comandante da Polícia Militar Marcelo Menezes. Ele permanece, por enquanto, à frente da corporação não por uma desistência da candidatura, mas por uma disputa política com deputados de quem será seu sucessor. Para disputar governo: Prefeito que governou o Rio por mais tempo, Eduardo Paes deixa o cargo com legado de obras, mas também projetos não concluídos Morador morto no Morro dos Prazeres é velado no Rio: amigos da pelada pagam translado do corpo para o Piauí A lei eleitoral define que secretários possam permanecer nos seus cargos até o início de abril. No governo do Rio foi preciso antecipar esse movimento porque está quase certo que Cláudio Castro vai renunciar o governo na segunda-feira. Ele tem o desejo de concorrer ao Senado e vai antecipar a saída do Palácio Guanabra para a véspera do julgamento da ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pode cassa-lo e tornar inelegível. Com o movimento ele tenta driblar a condenação, manobra que juridicamente ainda é debatida nos tribunais brasileiros. A saída do coronel Menezes é dada como certa. Como os outros 11 secretários exonerados nesta sexta-feira, ele pretendia indicar seu substituto: a lista têm três nomes e foi enviada ao Palácio Guanabra. No entanto, deputados da Assembleia Legislativa do Rio, sobretudo o líder de governo Rodrigo Amorim (União), busca emplacar um quarto nome: a coronel Pricilla Azevedo, que já comandou Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP), responsável pelas Unidades de Polícia Pacificadora e foi secretaria de Vitimização no governo Wilson Witzel. Internamente a oficial é vista como ótima profissional, mas muito moderna para o momento atual. Amorim, inclusive, nas útlimas semanas tem aumentado os ataques contra Menezes, dizendo que o coronel estaria fazendo campanha antecipada. Embora legalmente a exoneração de Menezes ainda possa acontecer mais para frente, não é desejo do Palácio Guanabara deixar o desembargador Ricardo Couto, que assume interinamente o governo até a eleição indireta, com o problema de definir o próximo comandante. Em meio ao embate e sem indicativos de quem será o próximo governador, há quem defenda um comando interino até a definição do chefe do executivo pela Assembleia Legislativa. As outras mudanças O governador Cláudio Castro exonerou 11 secretários do Rio para que possam concorrer nas eleições de 2026. A decisão, publicada no Diário Oficial do estado nesta sexta-feira, também anunciou a nomeação dos novos secretários que vão ocupar as pastas que perderam seus titulares, como Polícia Civil, Cidades e Turismo. Em nota, Castro afirmou que as mudanças "fazem parte do calendário eleitoral e são naturais neste momento". Veja todas as mudanças. As exonerações acontecem em meio à expectativa de que Castro renuncie ao cargo de governador. Segundo a coluna de Lauro Jardim, Castro deve renunciar ao cargo já na segunda-feira. A decisão seria uma tentativa de evitar a inelegibilidade e viabilizar uma candidatura ao Senado em outubro. A coluna aponta que, ao deixar o cargo antes do julgamento que pode torná-lo inelegível, Castro pretende que a ação contra ele no TSE perca o objeto, uma vez que estará fora da função. Alterações no governo Na Polícia Civil, saiu o secretário Felipe Curi e entrou o delegado Delmir Gouveia, ex-chefe de gabinete e com mais de 30 anos de atuação no serviço público. Na Secretaria de Infraestrutura e Obras, Raul Fanzeres assumiu o lugar de Uruan Andrade. Douglas Ruas, pré-candidato ao governo do Rio, deixou a Secretaria de Cidades, agora comandada por Maria Gabriela Bessa. Na Secretaria do Ambiente, saiu Bernardo Rossi e entrou Diego Faro. Já na Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, Anderson de Azevedo Coelho, que anteriormente exercia a chefia de gabinete da pasta, assumiu no lugar de Rosângela Gomes. Na Secretaria de Trabalho e Renda, Daniel Martins passa a comandar a pasta, antes chefiada por Luiz Martins. A Secretaria de Turismo será liderada por Lucas Alves, no lugar de Gustavo Tutuca. Na Secretaria de Juventude e Envelhecimento Saudável, quem assume é Isabela Alves, no lugar de Alexandre Isquierdo. Na Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, Renata Sphaier de Freitas entrou no lugar de Anderson Moraes, que estava à frente da pasta. Na Secretaria de Habitação, saiu Bruno Dauaire e entrou Fábio Paravidino. A última mudança foi a nomeação de Carla Nasser Monnerat para a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, no lugar de Vinicius Farah.