Aproximadamente 140 pessoas embarcam nesta sexta-feira no Aeroporto Internacional de Miami (Flórida) rumo a Havana, como parte da caravana internacional Nuestra América, que se reunirá na capital cubana para entregar ajuda humanitária à ilha. Vivi para contar: 'Ficávamos 16 horas sem luz, algumas vezes até mais', diz brasileiro que morou seis meses em Cuba Itamaraty: Brasil faz doação humanitária de remédios e alimentos para Cuba, que enfrenta escassez sob crescente pressão americana — Estamos levando suprimentos, muitos suprimentos médicos, alimentos, equipamentos de energia solar, porque eles não estão recebendo gasolina e, portanto, não têm eletricidade. É realmente assustador — disse Megan Russell, de 26 anos, que trabalha para a ONG de paz Codepink, uma das coorganizadoras da iniciativa. Cuba enfrenta uma grave crise econômica há anos, agravada pela suspensão, em janeiro, das exportações de petróleo bruto da Venezuela, após a queda de Nicolás Maduro em uma intervenção militar dos EUA, e pelo embargo de petróleo de fato imposto à ilha por Washington. O grupo que parte de Miami transporta aproximadamente 2,8 toneladas de medicamentos e suprimentos médicos, uma remessa avaliada em US$ 433.000. Seus membros fazem parte da Caravana Nuestra América, organizada por uma coalizão internacional de movimentos, sindicalistas, legisladores, organizações humanitárias e figuras públicas. Galerias Relacionadas Medea Benjamin, cofundadora da Codepink, criticou duramente a decisão do governo Trump de cortar o fornecimento de petróleo a Cuba, em meio a uma política de pressão contra o governo comunista em Havana. — Isso é como um cerco medieval. É uma política cruel e desumana. E queremos ir lá não apenas para entregar essa ajuda material, que é uma gota no oceano. Acima de tudo, queremos dizer que nós, nos Estados Unidos, não apoiamos essa política — declarou ela no aeroporto. Mark Friedman, outro dos que viajam para Havana, acredita que a política promovida por Trump e pelo Secretário de Estado Marco Rubio em relação a Cuba viola o direito internacional. — Não faço distinção entre o governo cubano e o povo cubano. Eles têm uma ampla democracia em todos os níveis — afirmou o membro do Comitê Mãos Fora de Cuba, que defende intercâmbios científicos e culturais com a ilha. Galerias Relacionadas A iniciativa não convenceu a todos em Miami. Phil Ehr foi ao aeroporto protestar contra o envio de ajuda humanitária para a nação caribenha. — Eu me oponho ao apoio ao regime comunista que esse suposto comboio representa. É um erro de julgamento, já que tudo o que chegar a Cuba será absorvido pelo governo —disse o veterano da Marinha dos EUA aposentado, que rejeita as negociações realizadas entre Washington e Havana.