Lira lança pré-candidatura ao Senado em evento sem JHC e com indiretas à família Calheiros

O deputado federal Arthur Lira (PP-AL) lançou, na tarde desta sexta-feira, sua pré-candidatura ao Senado Federal por Alagoas. O evento ocorreu em um hotel da capital Maceió, e contou com a representação de 83 das 102 prefeituras do estado. Seu principal rival na disputa é o senador Renan Calheiros (MDB), que irá tentar a reeleição, embora o cenário alagoano ainda esteja em aberto com as dúvidas sobre os futuros de JHC (PL), prefeito de Maceió, e do deputado federal Alfredo Gaspar (União), convidado pelo partido Novo para concorrer ao Senado. Aliados de Lira, JHC e Gaspar não compareceram ao evento e, em meio à indefinição do prefeito, o ex-presidente da Câmara falou em importância de cumprir acordos e "ter palavra". Leia: Empresário suspeito de operar esquema de fraudes no INSS negocia delação premiada com a PF Entenda: Com Vorcaro preso na Superintendência da PF, saiba quais são os próximos passos para a delação Lira afirmou estar em um momento de "serenidade" e de articulações políticas, com alianças já firmadas com partidos como o Republicanos e o União Brasil, além de haver um acordo "pré-desenhado" com o PL. Conforme mostrou a coluna de Lauro Jardim, do GLOBO, o apoio do PL ao ex-presidente da Câmara fez JHC receber convites para se filiar a outras seis siglas nesta janela partidária. Durante o evento de lançamento, o deputado criticou indiretamente os senadores do estado — Calheiros, Eudócia Caldas (PL) e Fernando Farias (MDB) — que, em sua visão, deixaram de lado os municípios alagoanos. De acordo com ele, quando ocupou a Câmara dos Deputados, seu trabalho "fortaleceu o municipalismo" no país, característica que diz ter "por convicção". — Eu sou um deputado, um parlamentar, municipalista por convicção — disse. — Alagoas tem a oportunidade de resgatar, nesta eleição, a cadeira que deixou no vácuo o municipalismo. Hoje, o Senado precisa se reaproximar da classe política alagoana. E eu vou fazer isso — completou. Lira afirmou, ainda, que "qualquer ministro, por mais capacidade que tenha", não consegue compreender "as ruas, povoados e distritos" de Alagoas. O único ministro alagoano do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é Renan Filho (MDB), na pasta dos Transportes, ex-governador por dois mandatos e que irá deixar o cargo para concorrer novamente ao Palácio República dos Palmares. — Brasília é terra de burocrata que não quer saber do povo. Tenho certeza que qualquer ministro, por mais capacidade que tenha, não conhece as ruas, povoados e distritos de Alagoas. Os únicos que podem ter a razão disso são deputados, prefeitos, vereadores e secretários, que semanalmente despacham conosco — afirmou Lira, que destacou ter feito o evento sem convidar nomes nacionais para priorizar "o encontro das lideranças" do estado. Lançamento pré-candidatura de Arthur Lira (PP-AL) ao Senado Divulgação 'Palavra precisa ter força' Em agosto do ano passado, a tia de JHC, Marluce Caldas, foi nomeada por Lula como ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) a partir de um cálculo eleitoral do petista para que o prefeito não concorra ao governo e endosse as candidaturas da família Calheiros, em especial de Renan Filho. Se concorrer ao Senado, JHC disputaria votos e abriria um racha com Lira, frustrando os planos de um tradicional aliado. Nesta sexta-feira, sem citar o prefeito, Lira afirmou que a maior virtude de seu grupo político é "saber dialogar", o que estaria faltando entre políticos de Alagoas, que "não têm humildade para sentar na mesa e escolher os caminhos corretos". — Muitas vezes, o que se falta em Alagoas é o essencial. É a gente acertar de manhã, e o cara cumprir de tarde. É acertar de tarde, e cumprir à noite. Porque a palavra, acima de tudo, precisa ter força, ter vez, independente de posição de política. Atrás dela a gente anda, sem ela ninguém faz nada. Porque sem ela se perde a previsibilidade, e sem previsibilidade as coisas ficam arranjadas e mal feitas — disse o deputado. A indefinição de JHC movimenta os bastidores da política alagoana. Com alta popularidade, o prefeito reeleito desponta como um nome capaz de ameaçar Lira em uma eventual corrida ao Senado, embora tenha o apoiado nas eleições de 2022. Ao mesmo tempo, caso decida concorrer ao governo, ele pode frustrar as estratégias de Calheiros e do MDB para a montagem de um palanque mais forte. Já se permanecer na prefeitura, interlocutores avaliam que JHC tiraria o espaço do vice-prefeito Rodrigo Cunha, que deixou o mandato no Senado para dar lugar a Eudócia, sua suplente. O prefeito de Maceió não compareceu ao evento por alegar "não ter sido informado e nem ter alinhado com Lira qualquer pré-candidatura", segundo sua assessoria informou ao jornal "Folha de S. Paulo". Procurada pelo GLOBO, a assessoria de Gaspar esclareceu que o deputado "encontra-se em Brasília, onde se dedica à elaboração do relatório final da CPMI do INSS".