PIB da Argentina cresce 4,4% em 2025, mas recuperação segue desigual

A Argentina encerrou 2025 com crescimento de 4,4% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). O resultado é positivo para o governo do presidente Javier Milei, embora ainda não indique uma retomada consistente da economia. Perda de vagas: Desemprego na Argentina atinge o pior nível desde a pandemia Editorial: Nova legislação trabalhista argentina é passo rumo a ciclo econômico virtuoso No quarto trimestre, o PIB avançou 0,6% em termos dessazonalizados na comparação com o trimestre anterior, segundo o Indec. Em relação ao mesmo período de 2024, houve alta de 2,1%, segundo o Indec. As exportações lideraram o crescimento em termos trimestrais, aumentando 5% no período em comparação com o trimestre anterior, enquanto o consumo privado também contribuiu, com alta de 1,7%. Os ganhos do PIB ocorreram mesmo com a queda de 1% nos gastos públicos e o recuo de 2,8% no investimento de capital no período de três meses. A indústria manufatureira(-5%), o comércio atacadista e varejista, incluindo reparos (-2,2%), e hotéis e restaurantes(-0,7%) continuaram apresentando retração. O desempenho anual interrompeu uma sequência de dois anos consecutivos de queda, após retrações de 1,7% em 2024 e de 1,6% em 2023. O resultado veio em linha com as expectativas do mercado, assim como os dados do Estimador Mensal de Atividade Econômica. Inflação menor Javier Milei alcançou um feito raro na Argentina ao desacelerar a inflação anual enquanto retirava a economia de uma recessão. Ainda assim, a recuperação econômica do país sob seu governo está cada vez mais desigual, com setores como energia, mineração e serviços financeiros prosperando, enquanto construção, indústria e varejo mostram sinais de recessão. Apesar de uma melhora geral nas condições de negócios, o setor privado do país registrou perda de empregos no ano passado, mesmo com o aumento das exportações e uma desaceleração significativa da inflação anual — ainda que em níveis elevados. A inflação mensal deixou de desacelerar pela última vez em maio e a arrecadação de impostos do governo ficou abaixo da inflação por sete meses. Após seu partido vencer as eleições legislativas de outubro passado, Milei está voltando seu foco para estimular o crescimento neste ano, reduzindo as taxas de juros elevadas que têm prejudicado o consumo e praticamente suspenso a maior parte do crédito imobiliário. Economistas projetam que a economia da Argentina crescerá 3,4% neste ano, de acordo com a mais recente pesquisa mensal do banco central.