O novo Boletim InfoGripe da Fiocruz alerta para o aumento da circulação da influenza A, vírus causador da gripe, no país antes de sua sazonalidade convencional: o vírus costuma apresentar alta atividade a partir do outono, que tem início nesta sexta-feira (20). No entanto, a análise referente ao período de 8 a 14 de março já aponta para o avanço em nível nacional do vírus, impulsionando o aumento de casos graves no Mato Grosso e na maioria dos estados do Nordeste (exceto Piauí) e em alguns estados do Norte (Amapá, Pará e Rondônia) e do Sudeste (Rio de Janeiro e Espírito Santo). Orgasmos conectados: conheça brinquedos 'smart' que podem transformar vida sexual de casais, aponta estudo Alimentos ultraprocessados estão ligados à infertilidade em mulheres, diz novo estudo; entenda Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 25,4% para o influenza A, um ligeiro aumento em relação à semana anterior quando com 20,8% dos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) foram ligadas ao vírus. O rinovírus continua responsável pela maioria dos casos, com 45,4%; o vírus sincicial respiratório (VSR) corresponde a 13,4%; o Sars-CoV-2 (Covid-19) por 11,3% e o influenza B por 1,3%. Crianças e adolescentes têm sido afetados principalmente pelo rinovírus. Entre jovens, adultos e idosos a principal causa tem sido a influenza A. O VSR também tem contribuído para o aumento de SRAG nas crianças pequenas. Já a Covid-19 afeta principalmente os idosos (embora esteja concentrado apenas em alguns estados do Sudeste, como Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo) e apresenta ainda níveis baixos de incidência. Com relação ao aumento das hospitalizações, as principais causas tem sido o rinovírus (especialmente entre crianças e adolescentes de 2 a 14 anos), a influenza A e o VSR. O Ministério da Saúde definiu três estratégias nacionais de vacinação para 2026, com foco na ampliação da cobertura vacinal e na redução de doenças imunopreveníveis. A campanha de vacinação contra a influenza nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste será realizada de 28 de março a 30 de maio, com o Dia D marcado para o primeiro dia da ação. "A principal forma de prevenção contra os casos graves e óbitos é a vacina. Já temos a vacina contra o VSR para as gestantes e no dia 28 começa a vacinação contra a influenza A para os grupos prioritários", afirma a pesquisadora Tatiana Portella, da Fiocruz, em comunicado. Segundo a análise, o número de casos SRAG apresenta sinal de aumento no cenário nacional nas tendências de longo (últimos seis meses) e de curto prazo (últimos três meses). Todos os estados, exceto Piauí, sinalizam crescimento nos casos de SRAG na tendência de longo prazo. Em relação ao VSR, o vírus segue contribuindo para o crescimento de SRAG em crianças menores de dois anos em muitos estados do Norte (Acre, Amazonas, Pará, Roraima e Rondônia), além de em alguns estados Centro-Oeste (Mato Grosso e Goiás) e Nordeste (Paraíba e Sergipe). Entre os estados, 20 estão com nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas): Acre, Amazonas, Pará, Amapá, Rondônia, Roraima, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Sergipe, Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro. O Boletim verificou que 18 das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco, com sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Aracaju (Sergipe), Belo Horizonte (Minas Gerais), Brasília (Distrito Federal), Boa Vista (Roraima), Campo Grande (Mato Grosso do Sul), Cuiabá (Mato Grosso), Fortaleza (Ceará), Goiânia (Goiás), João Pessoa (Paraíba), Macapá (Amapá), Maceió (Alagoas), Manaus (Amazonas), Natal (Rio Grande do Norte), Porto Velho (Rondônia), Recife (Pernambuco), Rio de Janeiro (Rio de Janeiro), Salvador (Bahia) e São Luís (Maranhão). Síndrome respiratória aguda grave A síndrome respiratória aguda grave (SRAG) é uma infecção severa que causa dificuldade respiratória aguda e lesões nos alvéolos pulmonares, prejudicando a oxigenação do sangue. Os sintomas incluem falta de ar, baixa oxigenação e, frequentemente, febre e tosse, exigindo hospitalização imediata e, muitas vezes, suporte ventilatório