A princesa herdeira Mette-Marit quase não conseguiu conter as lágrimas durante sua primeira entrevista a respeito de sua relação com o falecido Jeffrey Epstein. Na quinta-feira (19.03) Mette-Marit concedeu entrevista à emissora norueguesa NRK, abordando a amizade com Epstein. Seu nome havia sido mencionado no relatório do Departamento de Justiça dos EUA, divulgado em 30 de janeiro, que trouxe documentos sobre a investigação do financista, revelando mais detalhes sobre a extensão da relação entre eles. A entrevista aconteceu em sua residência real em Skaugum, com a presença do marido, o príncipe herdeiro Haakon, e Mette-Marit se emocionou diversas vezes ao refletir sobre seu contato com Epstein "É extremamente importante para mim assumir a responsabilidade por não ter verificado os antecedentes dele com mais cuidado. E assumir a responsabilidade por ter sido tão manipulada e enganada como fui", disse ela à NRK, segundo tradução para o inglês. "Mas é importante para mim esclarecer que não tenho culpa nenhuma nessa situação. São todas as vítimas que sofreram esses abusos grotescos que merecem justiça", continuou, com a voz embargada. "E sinto uma raiva imensa por elas não a terem recebido. Ao mesmo tempo, é importante dizer que, se fiz algo que contribuiu para legitimá-lo de alguma forma, é terrivelmente difícil para mim, claro." Epstein, financista americano e criminoso sexual condenado, e Mette-Marit teriam se relacionado entre 2011 e 2014, após sua condenação de 2008 por crimes de solicitação de prostituição, incluindo a de menor de 18 anos. Ele cumpriu 13 meses de uma sentença de 18 meses e morreu em 2019 enquanto aguardava julgamento por acusações federais de tráfico sexual. Desde a divulgação dos arquivos do Departamento de Justiça, Mette-Marit esteve sob escrutínio. Na entrevista, ela compartilhou mais detalhes sobre sua versão dos fatos e se emocionou ao falar sobre sua estadia na casa de Epstein em Palm Beach, Flórida, em janeiro de 2013. (Ser citada nos arquivos não implica irregularidades, e ela não foi acusada de qualquer conduta imprópria. Ela repudiou sua associação com Epstein em dezembro de 2019 e pediu desculpas oficialmente em 6 de fevereiro, incluindo detalhes de sua visita a Palm Beach.) "Um amigo em comum havia pegado a casa emprestada. Foi por isso que fui lá. Aliás, esse é um dos assuntos que mais me fizeram refletir depois que os graves abusos vieram à tona em 2019", disse à NRK, antes de sua voz embargar. "O fato de eu ter estado lá e, principalmente, sentir culpa pelas vítimas, me fez refletir bastante sobre tudo isso. Então, é muito difícil para mim, pessoalmente, e tem sido desde 2019, quando tomei conhecimento dos graves abusos", continuou, lutando contra as lágrimas. A princesa norueguesa afirmou que "nunca viu nada de ilegal" durante sua estadia ou nos encontros com Epstein, e que todos eram "adultos" à época. "Mas Epstein se comportou comigo de uma maneira que eu não gostei. Não posso esconder isso", comentou sobre a viagem à Flórida Ela apontou a estadia como ponto de ruptura da amizade: "Quando ele chegou no último dia da nossa estadia em Palm Beach, ele me colocou numa situação que me deixou tão insegura que liguei para a casa do Haakon." "Mas mantive contato com ele por um tempo depois disso. Acho que foi porque ele era muito manipulador e se aproveitou do fato de termos um amigo em comum. Que eu sou ingênua. Gosto de acreditar no melhor das pessoas. Mas também optei por encerrar o contato com ele, e foi por causa de episódios como esse", disse, sem entrar em mais detalhes. O príncipe herdeiro Haakon comentou: "Lembro-me da conversa. Foi uma situação em que ela se viu insegura e que a fez não querer mais estar lá. E que provavelmente também fez você pensar que essa pessoa não gosta de mim." A Casa Real da Noruega confirmou que Mette-Marit cortou relações com Epstein em 2014. "Epstein era um amigo próximo de um bom amigo meu. Então, fui apresentada a ele por meio de conhecidos em comum - vários, na verdade. E todos eles trabalhavam na área da saúde global e em organizações. Eram pessoas em quem eu confiava e em cujo julgamento eu confiava", explicou à NRK. Sobre a troca de e-mails de outubro de 2012 revelada nos arquivos, ela comentou: "É uma 'brincadeira' entre amigos. Não tem nada de especial. É um tom amigável, e depois fica obsceno". "É claro que não tenho nenhum desejo de que esses e-mails sejam publicados no jornal. Acho constrangedor. E não representa... Eu estava numa fase em que meu cargo era bastante exigente. Eu via Epstein como alguém em quem eu podia confiar, de alguma forma, nessa fase difícil da minha vida. Eu estava muito, muito enganada", acrescentou. Sobre a dificuldade de terminar o relacionamento, Mette-Marit disse: "Sinto-me tão manipulada. E quando você é manipulado, não percebe isso desde o início. São informações que chegam aos poucos. Acho que hoje percebo melhor o quanto fui manipulada. Claro que leva tempo para processar tudo. Mas houve uma série de eventos que me fizeram pensar 'isso não está bom'." Ela lamentou não ter alertado mais pessoas: "Me arrependo e tenho pensado muito sobre o fato de que deveria ter contado para mais pessoas que ele era uma pessoa ruim. Claro, contei para meus amigos mais próximos, mas me senti muito mal por não ter alertado mais pessoas." A entrevista, com duração limitada a 20 minutos devido à saúde de Mette-Marit, marcou sua primeira aparição pública desde janeiro, quando o palácio informou que ela não participaria de uma visita de Estado da Bélgica por sua condição pulmonar, fibrose pulmonar crônica, ter piorado. Sobre o momento da família, ela comentou: "Somos uma família que passou por uma situação muito difícil nas últimas semanas. Para nós, o foco principal tem sido a família. Sou mãe de um jovem que passou por uma situação muito exigente. Além disso, tenho problemas de saúde que requerem muito repouso, e a situação piorou ainda mais."