Foi com uns 10 minutos de atraso que o inglês Dev Hynes, sob a alcunha de Blood Orange subiu ao palco Budweiser do Lollapalooza. A abertura foi sob a introspectiva faixa “Saint”, para uma plateia que o observava curiosa e atenta — a maioria ali, os trajes denunciavam, esperava Sabrina Carpenter, que vai subir ao mesmíssimo espaço ao fim da noite. Carpenter Core: chapéu de cowboy é acessório mais repetido do primeiro dia de festival Marcelo Beraldo: Curador explica como monta line-up do Lollapalooza: ‘A gente conta um pouco com a sorte e com o timing’ Com sua música que vai do R&B ao que parece uma versão pop experimental, o artista conseguiu se comunicar com a plateia. Prova disso foi quando apareceu munido de um violoncelo para fazer uma versão de “How soon is now”, originalmente do The Smiths. A plateia reagiu batendo leques no ar. Enquanto Hynes ia migrando da guitarra, ao violoncelo, passando para teclados, os vocais eram assumidos por uma competente dupla formada pelos cantores Eva Tolkin e Ian Isiah. Blood Orange já tinha esquentado os motores em um show realizado ontem, também em São Paulo, no celebre Cine Joia, no centro. Lá, a apresentação ganhou contornos mais intimistas. Na tarde do Lolla, porém, a toada era mais dançante. Prova disso foi a energia empregada na faixa “Best to you”, com vocação bem pop. Show do Blood Orange no Palco Budweiser Edilson Dantas Com poucas palavras, Dev (ou Blood) apresentou uma canção “antiga” como ele mesmo disse, e assim seguiu para “Bad Girls” faixa que faz parte de seu trabalho de produtor junto a Solange Knowles, a talentosa irmã de Beyoncé. Em toda a apresentação, o instrumental se sobrepôs às vozes como parte mais exuberante, foi assim em “Charcoal Baby”, em que a guitarra, o baixo e a bateria tinham papel mais importante na faixa. Os vocalistas, inclusive, dançavam pelo palco ao longo dos longos intervalos da faixa sem estrofes. A voz de Dev Hynes só ganhou destaque mesmo na faixa “Champagne Coast”, a última da apresentação. E a mas ouvida nas plataformas. Nessa hora a apresentação ganhou uma multidão de celulares filmando. De brinde, o telão mostrava o começo do pôr do sol. Bonito de ver.