Participação de Edson Gomes no Lolla é ofuscada por diva pop e tem fraca presença de fãs do rei do reggae brasileiro do festival

Edson Gomes se apresenta no Lollapalooza 2026 Globo O nome de Edson Gomes na terceira linha do cartaz do Lollapalooza 2026 foi bastante celebrado pelo público quando anunciado em agosto de 2025. Não só pela inserção do reggae no line-up do festival (algo bastante raro na história do Lolla), mas principalmente pelo reconhecimento ao artista de mais de cinco décadas de carreira. A expectativa, no entanto, não se confirmou ao vivo e resultou em uma plateia esvaziada. O público presente misturava jovens fãs, que carregavam a herança musical dos pais, e roqueiros que finalizavam o show dos Deftones no palco ao lado do Flying Fish, onde Gomes se apresentou na noite desta sexta-feira (20), no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. Lolla 2026: Veja fotos do 1º dia Poucos, jovens e fiéis: quem é o público que trocou Sabrina por Edson Gomes no Lolla 26 Muito desse vazio na plateia era porque, exatamente ao mesmo tempo em que Gomes iniciava seu show, a estrela pop americana Sabrina Carpenter subia ao Palco Budweiser, ofuscando a presença do astro do reggae no festival. Mas os poucos fãs de Edson eram bons. Fiéis e animados, eles acompanharam o cantor pelo passeio feito por toda sua trajetória musical. E gritaram seu nome nos breves momentos de silêncio entre uma faixa e outra, em uma apresentação de pouca conversa com o público. Edson Gomes se apresenta no Lollapalooza 2026 Globo Usando uma camiseta com a estampa de sua própria imagem, Gomes começou seu show com "Guerreiro do terceiro mundo", do álbum "Reconcavo", de 1990, o segundo do artista. E logo em seguida mostrou que não estava contente com o som no palco, fazendo uma breve reclamação ao microfone. Edson emendou um de seus maiores hits, "Perdido de amor". E deixou quase toda a "Camelo" para o público cantar sozinho. Lolla das apostas: festival tem 5 indicados a revelação no Grammy dos últimos anos Outros hinos do cantor, como "Barrados", "Campo de Batalha", "Sangue Azul", "Fogo na Babilônia", "Malandrinha" e "Ovelha" também fizeram parte do setlits do artista, que veio acompanhado de uma banda competente e um trio de músicos de sopro coreografado. Mas foi Árvore a responsável por empolgar mesmo a plateia, que aproveitou o espaço sobrando para dançar. Já Edson só se levantou para dançar na última faixa, Meus Direitos. Com influências de Tim Maia, Bob Marley e Jimmy Cliff, Edson Gomes iniciou sua carreira na década de 1970 e criou uma identidade própria no ritmo, inserindo elementos da cultura afro-brasileira. Ao logo de décadas, Gomes manteve seu estilo reggae roots engajado, trazendo canções que se tornaram clássicos de protesto e consciência social. Temas como injustiça, violência, fé e esperança deram o tom de sua trajetória musical. E muitas de suas canções foram regravadas por artistas de diferentes gêneros musicais. Tudo isso foi visto no palco deste Lolla. Mas celebrado por poucos. No fim, o barulho virtual com a divulgação acabou sendo bem maior do que o público presente. Cartela resenha crítica g1 Arte/g1