Inclinação da Terra no outono afeta o Brasil na nebulosidade, formação de frente fria e até ciclones; entenda

O outono começou no Brasil na última sexta-feira, às 11h45, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), e acontece em virtude da inclinação da terra. O fenômeno astronômico faz com que o número de horas de dia seja praticamente o mesmo sem sol. A dinâmica altera a nebulosidade, a frequência de frente fria e formação de ciclones extratropicais. Leia: El Niño reacende alerta para chance de repetição de tragédia no RS em 2026, dizem meteorologistas Verão de contrastes: La Niña segurou calor no Sudeste enquanto Nordeste e Sul enfrentaram temperaturas extremas Segundo o meteorologista Cesar Soares, do Climatempo, o outono é uma estação de transição, ou seja, ela ocorre entre os períodos mais quentes e mais frios. A inclinação da Terra “faz com que o movimento em torno do Sol faça com que o hemisfério Norte ou o hemisfério Sul receba mais luz solar durante alguns períodos do ano” mas, nas estações de transição, “os hemisférios passam a receber a mesma quantidade de horas de luz”, explica Cesar. Amanhecer no outono carioca com a Igreja da Candelária, no Centro Michel Filho - 04.05.2005 — Isso acaba implicando diretamente também na energia da atmosfera. Ou seja, se a gente não tem tanto sol, ela tem menos energia para poder realizar seus movimentos de massas de ar — disse o meteorologista. Essa mudança de comportamento tem impactos diretos nos fenômenos que afetam o dia-a-dia. Menos energia na atmosfera, de acordo com o especialista, significa diminuir a execução dos sistemas atmosféricos, como frentes frias, baixas pressões e ciclones extratropicais. "Tudo isso tende a não ocorrer com tanta frequência quanto no verão", conclui. Outono com calor acima da média e atraso no frio A estação deve apresentar um cenário climático diferente do observado nos últimos meses, com tendência de temperaturas mais elevadas e mudanças na distribuição das chuvas pelo país. De acordo com os especialistas, a estação será marcada pela consolidação do El Niño, que tende a provocar efeitos opostos aos registrados durante a atuação do La Niña no verão. — A gente deve ter calor acima da média, principalmente em áreas do Centro-Oeste e do Sudeste — explica o meteorologista Cesar Soares, da Climatempo. Ipês deixam o outono de Brasília com cara de primavera Cristiano Mariz / Agência O Globo Esse aumento das temperaturas, sobretudo ao longo da estação, pode ter impactos diretos no meio ambiente. Entre eles, está a elevação no número de focos de queimadas, especialmente no fim do outono, quando o tempo costuma ficar mais seco em diversas regiões do país. — O frio deve ser um pouco mais tardio. A gente não deve ter uma condição de um frio tão presente durante os meses de outono, muito pelo contrário. A temperatura deve ser acima da média e o frio deve vir mais para o final da estação mesmo, lá no mês de junho, pela nossa previsão aqui da ClimaTempo — afirmou. No Sul, o cenário deve ser diferente. A previsão indica excesso de chuva, com destaque para o Rio Grande do Sul, que pode voltar a enfrentar episódios de precipitação acima da média. Diante desse quadro, segundo o meteorologista, a recomendação é “ficar atento às previsões diárias”. O meteorologista Marcelo Seluchi, chefe de operações do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, confirma que é provável que o Sul acumule mais chuva que os demais lugares neste período de atuação do El Niño. — Deve chover mais no Sul e menos no Norte. Sudeste e Centro-Oeste são incertos. Isso não significa a repetição de eventos como o do Rio Grande do Sul. Sempre há risco, mas não motivo para pânico — defende Marcelo Seluchi.