Anafilaxia: entenda a reação alérgica grave que acometeu a filha de Hulk Paraíba

O jogador Hulk Paraíba passou por momentos de apreensão quando sua filha Zaya, de 3 anos, apresentou uma reação alérgica após ingerir amendoim. Nas redes sociais, o atleta explicou que a situação já estava controlada, mas o episódio serve de alerta para uma condição que, embora rara, pode ser extremamente perigosa: a anafilaxia. Veja: Após cortar o cabelo, mãe de Lucas Lucco abre espaço para falar sobre alopecia e seus diferentes tipos Disciplina e estratégia: como Kelly Key virou referência em treinos e alimentação Segundo Marisa Rosimeire Ribeiro, Coordenadora do Departamento Científico de Anafilaxia da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), "a condição é uma resposta alérgica sistêmica que pode levar o paciente a óbito se não houver intervenção a tempo". Entre os principais desencadeadores estão alimentos, medicamentos, picadas de insetos e látex, ressaltando que qualquer pessoa pode estar em risco. Os sintomas aparecem de forma súbita e podem afetar diferentes órgãos simultaneamente. Coceira, vermelhidão, inchaço no rosto e alterações na mucosa são sinais iniciais, assim como dificuldade para respirar, chiado no peito, tosse ou rouquidão. Náuseas, vômitos, diarreia, desmaios, alterações cardíacas e sensação de desorientação ou iminência de morte também são possíveis, exigindo atenção imediata. Diante do aumento de casos, a ASBAI criou o Registro Brasileiro de Anafilaxia (RBA-ASBAI), uma iniciativa pioneira que reúne dados de pacientes de todo o país. Os números mais recentes mostram que 42,1% das reações estão relacionadas a alimentos — com leite, mariscos, ovo, trigo e amendoim entre os mais comuns — enquanto 32,4% foram provocadas por medicamentos e 23,9% por picadas de insetos. O látex também aparece, mas em número menor de casos. O perfil dos pacientes varia: entre crianças, os meninos são maioria (55,5%), enquanto entre adultos, 59,2% dos casos ocorreram em mulheres. O registro inclui 318 pessoas de 20 estados, com idade média de 27 anos, e concentra maior incidência nas regiões Sul e Sudeste. "A ASBAI criou o Registro Brasileiro de Anafilaxia com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre o perfil da doença entre os brasileiros para que políticas públicas possam ser implementadas no que diz respeito à prevenção e ao tratamento da anafilaxia, considerada a reação alérgica mais grave e que pode levar à morte", explica Mara Morelo, Diretora de Pesquisa Adjunta da ASBAI. Adrenalina autoinjetável: urgência que ainda não é acessível Um dos dados preocupantes do registro é que apenas 8,2% dos pacientes possuem a caneta de adrenalina autoinjetável, disponível atualmente apenas via importação e com custo elevado. Embora 96,2% dos pacientes tenham recebido algum tipo de tratamento, apenas metade utilizou adrenalina, e na maioria das vezes o medicamento foi administrado por profissionais, em ambiente hospitalar. Quinze pessoas precisaram de intubação e 10 foram reanimadas. "A adrenalina autoinjetável é o medicamento de urgência, precisa ser aplicado assim que os sinais da anafilaxia começam. A demora na medicação pode levar a pessoa a óbito, sem tempo mesmo para chegar ao pronto-atendimento", alerta Dra. Mara Morelo. Para ampliar a prevenção, a ASBAI apoia dois projetos de lei em tramitação no Congresso: um para tornar a notificação da anafilaxia obrigatória, permitindo conhecer a sua prevalência, e outro para garantir o fornecimento gratuito da caneta de adrenalina pelo SUS, garantindo que pacientes possam agir rapidamente, mesmo fora do hospital, incluindo ambientes domésticos e escolares, esclarece Fátima Fernandes, Presidente da ASBAI.