Outono: veja como o clima mais frio pode impactar corpo, sono e humor durante a estação

Com a chegada do outono, as temperaturas começam a cair aos poucos e os dias ficam mais curtos, sinalizando não apenas mudanças no guarda-roupa, mas também no corpo e na mente. Essa transição, embora sutil para muitos, pode afetar desde a sensação física até o equilíbrio emocional. Descubra por que a pele bem cuidada pode mudar o papel da maquiagem na rotina Veja: O que muda na pele ao longo do tempo e como adaptar os cuidados Segundo Thiago Ferreira, médico reumatologista e professor de pós-graduação da Afya Ribeirão Preto, pessoas com doenças articulares, como artrite e artrose, costumam sentir com mais intensidade os efeitos do frio. "Observamos na prática clínica que muitos pacientes relatam aumento da rigidez nas articulações e mais desconforto nos dias frio", explica. Ele detalha que a queda de temperatura favorece a contração muscular e reduz a flexibilidade, criando a sensação de articulação "travada". Outro aspecto que interfere na percepção de dor são as variações da pressão atmosférica, comuns durante mudanças de estação. "Alterações na temperatura, umidade e pressão podem afetar tecidos mais sensíveis, especialmente em quem já apresenta inflamação ou desgaste nas articulações. Isso ajuda a explicar por que alguns pacientes relatam piora antes de chuva ou frentes frias", acrescenta o especialista. Mas não são apenas as articulações que sofrem com a chegada do outono. O humor e a disposição também podem ser impactados pelo clima. Mariana Ramos, professora de Psicologia da Afya Centro Universitário Itaperuna, destaca que a redução da luz natural influencia diretamente funções biológicas que regulam sono, energia e bem-estar emocional. "A exposição à luz solar está ligada à produção de substâncias importantes para o humor, como a serotonina. Quando os dias ficam mais curtos, algumas pessoas podem sentir mais cansaço e desânimo", detalha a psicóloga. Além disso, a luz do dia contribui para a produção de vitamina D e para a regulação da melatonina, hormônio essencial para manter o chamado "relógio biológico", que organiza ciclos de sono, níveis de energia e produção hormonal. Em casos mais graves, essas mudanças podem se manifestar como transtorno afetivo sazonal (SAD, na sigla em inglês), uma forma de depressão que segue padrões sazonais e costuma durar quatro a cinco meses. "Embora muitas pessoas apenas se sintam mais desanimadas quando há menos luz natural, é importante observar quando essas alterações persistem por semanas ou passam a afetar a forma como a pessoa se sente, pensa ou age", alerta Mariana. A boa notícia é que ajustes simples na rotina podem ajudar corpo e mente a se adaptarem melhor à estação. "O corpo e a mente respondem ao ambiente. Quando mantemos hábitos saudáveis, ajudamos o organismo a se ajustar melhor às mudanças naturais das estações", orienta a especialista, reforçando a importância de atenção aos sinais físicos e emocionais.