Muay Thai, Jiu-jitsu e Boxe: por que mulheres estão se apaixonando pelos esportes de luta

Nos últimos anos, a presença feminina no universo esportivo deixou de ser apenas crescente para se tornar uma força transformadora. Segundo dados do IBOPE Repucom, referência em pesquisas de marketing esportivo, o interesse das mulheres por esportes avançou 20%, quase o dobro do crescimento registrado entre os homens, que ficou em 9%. Mais do que curiosidade, esse movimento reflete mudanças na forma com elas se relacionam com o corpo, a saúde e a autoconfiança. Lollapalooza 2026: cabelo volumoso domina o festival; aprenda como reproduzir o look 'Hollyweird': entenda por que a magreza extrema volta a preocupar em Hollywood Essa transformação se reflete com ainda mais força nos esportes de combate. Uma pesquisa recente da Maximum Boxing, referência em equipamentos para modalidades de luta, mostra que seis em cada dez mulheres pretendem iniciar, retomar ou manter a prática de lutas em 2026 — contra 52% dos homens. A diferença indica que elas buscam algo além do condicionamento físico: proteção, bem-estar mental e fortalecimento pessoal. A pesquisa ouviu brasileiros de diferentes regiões do país para traçar um panorama das preferências e hábitos de treino entre homens e mulheres. Os resultados mostram diferenças claras de motivação: enquanto 69,9% dos homens priorizam o preparo físico, 57,9% das mulheres desejam aprender a se proteger em situações de risco, e 52,3% querem reduzir o estresse e melhorar o equilíbrio emocional, cerca de 10 pontos percentuais acima do público masculino. "Os estímulos mudam bastante entre homens e mulheres: muitos deles se aproximam das modalidades pela busca de desempenho físico, enquanto boa parte delas procura segurança e qualidade de vida", diz William Ferraz, coordenador de marketing da Maximum Boxing. Ele acrescenta: "Embora a melhora do condicionamento seja importante para todos, os dados sugerem que o público feminino tende a enxergar nos esportes de combate um caminho para fortalecer a autoconfiança e o equilíbrio emocional, enquanto o masculino valoriza mais os ganhos corporais." Defesa pessoal: confiança no dia a dia O aumento da violência contra mulheres tem levado muitas a buscar nos esportes de luta uma forma prática de se proteger. Mais da metade das entrevistadas (54,3%) acredita que a prática proporcionaria autonomia para caminhar sozinha em espaços públicos. Outras mudanças percebidas incluem maior firmeza para impor limites em situações de conflito (47,7%) e sensação de segurança ao utilizar transporte público (42,8%). Entre os homens, as prioridades seguem outro caminho: 48,8% citam a proteção de familiares ou amigos, 46% valorizam a capacidade de manter a calma sob pressão e 35,6% enxergam mais autonomia para circular sozinho em espaços públicos. Muay Thai: técnica, força e autoconfiança Quando o objetivo é se sentir mais segura e saudável, as mulheres mostram preferência por modalidades que combinam técnica, intensidade e ritmo. O Muay Thai lidera entre elas (42,2%), seguido pelo Jiu-jitsu (32%) e Boxe (26%). Entre os homens, Jiu-jitsu aparece no topo (42,3%), seguido por Boxe (35,7%) e Karatê (26,8%), enquanto o Muay Thai ocupa apenas a quarta posição (26,3%). "Por décadas, o Muay Thai foi visto como um espaço predominantemente masculino, mas, hoje, ligas e academias incentivam fortemente a participação das mulheres. A modalidade, derivada de práticas guerreiras, é perfeita para aprender a se defender e trabalhar o corpo inteiro — punhos, cotovelos, joelhos e canelas — razão pela qual é chamada de 'arte dos oito membros'", explica William. Além de trabalhar o corpo, a prática desafia a mente, exigindo concentração, disciplina e controle emocional ao longo de cada treino. "Essa luta exige gestão emocional em tempo real, oferecendo a oportunidade de desenvolver autocontrole e fortalecer a autoconfiança. Aprender técnicas de combate, enfrentar rotinas intensas e se mover com segurança certamente muda a percepção que você tem sobre si mesma", completa. Os desafios de começar e se manter Apesar do interesse crescente, nem todos conseguem dar o primeiro passo ou manter a rotina de treinos. A falta de tempo aparece como principal barreira, citada por 47% das mulheres e 43% dos homens. O medo de lesões, custo das aulas ou equipamentos, falta de preparo físico, ausência de companhia para treinar e dificuldade de deslocamento também aparecem entre os principais obstáculos. Ainda assim, a disposição para investir é notável. Quase 40% das mulheres afirmam que pagariam até R$ 200 por mês em aulas, enquanto entre os homens o percentual é de 35%. Para valores acima de R$ 300 mensais, os homens mostram mais abertura (28,1%) em relação às mulheres (23%). O resultado sugere que, embora o interesse feminino seja maior, os homens se mostram mais dispostos a investir quantias mais elevadas nas aulas.