Astrônomos restabelecem contato com satélite perdido há mais de um mês no espaço

A Agência Espacial Europeia anunciou que conseguiu restabelecer a comunicação com a espaçonave Proba-3, após cerca de um mês de inatividade no espaço. O contato foi retomado nesta quinta-feira (19), quando o satélite conseguiu recarregar suas baterias ao reposicionar seus painéis solares em direção ao Sol, encerrando um período crítico iniciado em 14 de fevereiro. Segundo a agência, a falha de orientação fez com que o equipamento entrasse em “modo de sobrevivência”, ficando à deriva e sem capacidade de gerar energia. A retomada ocorreu quando a equipe de operações, baseada na Espanha, identificou um momento em que a luz solar voltou a atingir os painéis, permitindo a reativação dos sistemas e o restabelecimento do controle. Manobra de resgate e retomada das operações Após reunião do conselho da ESA, o diretor-geral Josef Aschbacher classificou o episódio como um “milagre”. Já o diretor da missão, Damien Galano, afirmou em comunicado que o retorno do sinal do coronógrafo representou “um enorme alívio” para a equipe. A partir de agora, especialistas avaliam o estado dos instrumentos e eventuais danos causados durante o período sem comunicação. O restabelecimento do contato é considerado crucial para a continuidade da missão, cujo objetivo é estudar a coroa solar, a camada mais externa da atmosfera do Sol, ainda pouco compreendida pela ciência. Lançada em 2024, a missão Proba-3 utiliza duas espaçonaves que voam em formação a mais de 60 mil quilômetros de altitude. Uma delas atua como um escudo, bloqueando a luz solar, enquanto a outra, equipada com um coronógrafo, observa a região sombreada, simulando eclipses solares artificiais. Diferentemente dos eclipses naturais, que são raros e duram poucos minutos, o sistema permite até 12 horas semanais de observação contínua ao longo de dois anos, ampliando significativamente a coleta de dados sobre fenômenos como ejeções de massa coronal e tempestades solares. A ESA destaca ainda que o projeto representa um avanço no uso de voo em formação, tecnologia que permite a operação coordenada de múltiplos satélites com precisão milimétrica. A expectativa é que os resultados do Proba-3 contribuam para futuras missões espaciais mais complexas, voltadas tanto à pesquisa científica quanto a aplicações como monitoramento ambiental e gestão de infraestrutura orbital.