Mulher morre congelada no Alasca; família processa emergência por atraso de mais de uma hora no socorro

Uma mulher de 31 anos morreu de hipotermia após permanecer por horas exposta ao frio em Anchorage, no Alasca, enquanto o envio de socorro demorou mais de uma hora, segundo registros oficiais. O caso, ocorrido em 8 de fevereiro de 2024, motivou um processo por homicídio culposo movido pela família, que acusa falhas no atendimento do serviço de emergência 911. Veja vídeo: Horas após deixar a cadeia, homem é preso por morder policial no Reino Unido De acordo com boletins policiais, Alecia Ai Lindsay foi vista pela primeira vez às 6h34, sentada no chão em frente a uma casa na East 10th Avenue, desorientada e com dificuldade para falar. Um morador acionou o 911 e foi informado de que uma equipe seria enviada, com orientação para retornar caso a situação mudasse. No entanto, nenhuma unidade foi despachada naquele momento. Chamadas ignoradas e agravamento do quadro Cerca de 30 minutos depois, uma nova ligação relatou piora no estado da mulher, que rastejava pelo chão e apresentava tremores intensos devido ao frio. Mesmo assim, segundo a denúncia e registros analisados, o caso foi classificado como uma ocorrência de baixa prioridade, sem acionamento imediato de socorro médico. Naquela manhã, as temperaturas variavam entre 17 e 28 graus Fahrenheit (cerca de -8°C a -2°C), com neve no solo. Registros internos indicam longos períodos sem qualquer movimentação no despacho de equipes. Somente às 7h36 — mais de uma hora após a primeira ligação — uma viatura policial foi enviada ao local. Ao chegar, dez minutos depois, o agente encontrou Lindsay deitada no gelo, com roupas inadequadas, alternando entre consciência e inconsciência. A ambulância foi acionada apenas às 7h54, já em caráter de emergência. O atendimento médico chegou às 8h05. Poucos minutos depois, a mulher foi retirada do chão, mas parou de respirar em seguida, conforme registros de áudio. Às 9h38, ela foi declarada morta no Hospital Providence. O laudo do médico legista apontou hipotermia por exposição ambiental como causa da morte. Nos dias anteriores, Lindsay já apresentava sinais de fragilidade. Imagens e depoimentos indicam que ela circulou pela cidade desorientada, vestindo roupas inadequadas para o inverno rigoroso. Houve registros de abordagens policiais e ligações ao 911 feitas por terceiros preocupados com seu estado, sem que medidas efetivas de proteção fossem adotadas. A ação judicial sustenta que houve negligência por parte do atendente do 911, da polícia local e do sistema de comunicação de emergência, ao não reconhecer sinais evidentes de uma emergência médica. A família argumenta que o caso não se trata de erro de julgamento, mas de descumprimento de protocolos básicos. Em resposta apresentada em 10 de março, o município de Anchorage reconheceu os horários das chamadas, o atraso no envio de equipes e a causa da morte, mas negou responsabilidade. A defesa invoca uma legislação estadual que concede imunidade a órgãos públicos em decisões classificadas como “funções discricionárias”, mesmo que falhas. O caso segue sob investigação pela polícia de Anchorage, com participação da unidade de homicídios, embora ainda não haja classificação formal de crime.