Segundo marido de Elis Regina, com quem trabalhou em alguns dos mais importantes álbuns da cantora durante a década de 1970 e 1980, o pianista Cesar Camargo Mariano usou as redes sociais para criticar o relançamento de um deles, "Elis 1973", remixado e remasterizado pela Universal. Camargo foi o diretor musical, arranjador e pianista do disco, que traz faixas como "Folhas secas", de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, e "É com esse que eu vou", de Pedro Caetano. "Estou sendo procurado para dar minha opinião sobre o lançamento da nova versão", publicou Mariano em seu perfil no Instagram neste sábado (21). "Na madrugada de hoje ouvi este lançamento. E respondo que ouvi, com tristeza", afirma. "Tristeza por ouvir todo o trabalho de meses de criação do conceito musical, dos arranjos e das execuções, dos planos de gravação e mixagem, todos estdados e muito bem pensados por nós, jogados no lixo", detalha o músico. "Essas questões, para mim, não são pasíveis de alterações por terceiros". Mariano acrescenta que "nada justifica a alteração no final da faixa 'É com esse que eu vou', onde o track do teclado RMI foi 'arrastado' e antecipado em quatro compassos (!), prejudicando a parte final da canção que foi pensada, exaustivamente, entre mim e Elis, pois tinha um forte sentido aquele espaço que deixei em suspense no arranjo, em função de sua inrerpretação e da história que estava sendo contada e cantada por ela". O diretor musical original do álbum estranha que "Na faixa 'Doente morena' agora há DUAS guitarras!!!", acrescentando que o arranjo final não foi concebido desta maneira. "Agora aparecem duas guitarras fazendo um 'dueto' atrapalhado, tirando toda a singeleza e o lirismo da interpretação do nosso conceito final". Em relação à música "Oriente", Mariano lamenta que "há agora um corte súbito em sua voz, no princípio da frase 'a possibilidade de ir pro Japão', que, a meu ver, resultou muito mais problemática do que qualquer deficiência na dicção da voz de Elis que pudesse haver na gravação de Esmeraldas". O pianista reclama também das alterações da percussão em "Caçador de esmeraldas": "agora está exagerada, e foi incluído um tímpano que, a princípio, era para ser apenas um detealhe sutil no arranjo, criando um ambiente, mas que decidi tirar, pois estava pesado demais". O instrumento que "aparece 'misteriosamente e bem à frente", avalia, se sobrepõe à voz de Elis. Quanto à "É com esse que eu vou", Mariano diz que "além do novo plano e timbragem dos instrumentos tirarem todo o clima de groove e swing intencional, agora está totalmente fora de sincronismo".