EUA suspendem sanções contra petróleo do Irã para conter aumento de preços

Os Estados Unidos anunciaram na noite de sexta a suspensão das sanções comerciais contra o petróleo do Irã para tentar segurar a elevação acentuada de preços da commodity que vem ocorrendo desde o início da guerra entre os dois países. A medida, que contraria a estratégia de "pressão máxima" contra o país asiático defendida pelo presidente americano, Donald Trump, pode beneficiar os iranianos provendo uma receita que estava estancada. O preço do barril de óleo cru fechou cotado a US$ 112 na sexta-feira, um aumento de 54% desde o início do conflito no fim de fevereiro, quando os EUA começaram a bombardear o Irã em conjunto com Israel. Segundo o jornal Wasington Post, a ordem de pausar o embargo teria partido diretamente de Trump. A suspensão das sanções vale, por enquanto, apenas para 140 milhões de barris de petróleo iraniano que já estavam carregados em navios. A decisão foi tornada pública na noite de sexta-feira. "Hoje, o Departamento do Tesouro está emitindo uma autorização de curto prazo, com escopo limitado, que permite a venda de petróleo iraniano atualmente retido no mar", escreveu o secretário do Tesouro, Scott Bessent, na na rede social X. A entrada do produto no mercado global será rápida, afirmou, em mensagem na sequência. "Ao liberar temporariamente esse fornecimento existente para o mundo, os EUA disponibilizarão rapidamente cerca de 140 milhões de barris de petróleo nos mercados globais, expandindo a quantidade de energia disponível mundialmente e ajudando a aliviar as pressões temporárias sobre o fornecimento causadas pelo Irã", disse. Segundo Bessent, no momento em que o comunicado foi transmitido, os petroleiros que tiveram a passagem desbloqueada já estariam a caminho da China. O secretário de Tesouro afirma, porém, que a medida não deve beneficiar o Irã, porém, ao permitir a entrada de mais dinheiro no país durante a guerra. "O Irã terá dificuldades para acessar qualquer receita gerada e os Estados Unidos continuarão a manter a pressão máxima sobre o Irã e sua capacidade de acessar o sistema financeiro internacional", escreveu. "Essa autorização temporária de curto prazo é limitada ao óleo que já está em trânsito e não abarca produção ou novas aquisicões." Segundo a portaria de governo que contém a medida, o óleo contido nos navios citados só não pode ir para Cuba, Coreia do Norte ou para a Crimeia (região conflagrada na guerra entre Rússia e Ucrânia). A medida permite a entrada de petróleo iraniano nos próprios EUA, também.