O procurador-geral de Justiça do Maranhão Danilo José de Castro Ferreira pediu o afastamento imediato, por meio de decisão em caráter liminar, do vice-governador do Maranhão, Felipe Camarão (PT), por suposta ligação com um esquema de lavagem de dinheiro, movimentação atípica de valores milionários e crimes contra a administração pública. O petista criticou o vazamento da investigação, que, segundo ele, tem "objetivo eleitoreiro" e disse que não aceitará "perseguição política travestida de atuação institucional". Das relações com o STF ao embate entre PGR e PF, entenda os obstáculos para que a delação de Vorcaro avance De 'patrimônio nacional' a 'judas', e agora aliado de novo: as idas e vindas entre Moro e o bolsonarismo O pedido do procurador-geral foi encaminhado ao Tribunal de Justiça do Maranhão. De acordo com documento obtido pelo Estadão, Camarão teria usado parentes e policiais militares de sua segurança para captar R$ 6,3 milhões e outros R$ 4,7 milhões em imóveis de luxo em São Luís. Ferreira sustenta que o petista se beneficiou de uma rede de "laranjas" para ocultar transferências milionárias via Pix. Segundo ele, o dinheiro que circulou na conta ligada a Camarão não é salário, mas tem origem em "receitas de outra natureza", sendo incompatível com a renda declarada. O procurador também pediu ao tribunal que seja apurado quem vazou as informações protegidas por sigilo judicial. Pelo Instagram, Camarão afirmou ter recebido "com indignação o vazamento criminoso do suposto pedido de afastamento". Ele disse que nunca teve acesso ou ciência à investigação em que se baseou a manifestação do procurador-geral e disse que o procedimento tem "clara finalidade de exposição seletiva e constrangimento público". Initial plugin text O petista apontou "estranheza" na suposta proximidade de Ferreira com Marcus Brandão, irmão do governador Carlos Brandão, do qual é vice, mas com quem rompeu no fim de 2025. Camarão afirmou que vai entrar com medidas judiciais para que seja investigado um "possível aparelhamento" da PGJ. "Minha trajetória pública ilibada de 25 anos não será manchada por esse tipo de prática. O Maranhão não pode retroceder a um tempo em que instituições eram aparelhadas para fins de pressão política", acrescentou Camarão. Atritos políticos O pedido de afastamento vem em meio aos atritos políticos entre a ala vinculada ao governador Carlos Brandão (sem partido) e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, ex-chefe do Executivo maranhense. Ligado ao magistrado, Camarão atuou no secretariado nos dois mandatos em que Dino comandou o governo. Os dois grupos disputam o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida ao Executivo estadual. Este mês, Carlos Brandão se antecipou à definição da chancela petista e lançou a pré-candidatura ao governo do sobrinho Orleans Brandão (MDB), de quem deseja alavancar a imagem como seu sucessor. Foi um novo ponto de tensão com aliados de Dino, cujos apoiadores buscam consolidar a candidatura de Felipe Camarão. Pelas redes sociais, este mês, Camarão publicou imagens de Brandão num ato político do passado para rebater as alegações do governador de que nunca houve acordo pela sua candidatura. O vice afirmou que o chefe do Executivo maranhense desrespeitou um acordo com o PT Nacional. "Só vencemos por causa de Lula/PT (garantido por eu ser o vice) e pela força/popularidade de Flávio Dino. Ocorre que será DESCUMPRIDO por razões familiares, por causa do programa segundo emprego para o sobrinho e pela traição ao povo do Maranhão. Da minha parte, só posso pedir desculpas por ter ajudado a eleger a neo oligarquia e dizer ao povo: SERÃO DERROTADOS EM OUTUBRO!", escreveu Camarão, em postagem no Instagram. A ruptura ganhou força após o vazamento de gravações de conversas nas quais aliados de Dino cobravam do grupo de Brandão o cumprimento de acordos firmados durante a eleição de 2024. Como mostrou O GLOBO, o diretório estadual do PT afirma que uma decisão sobre o nome da sigla na corrida pelo Palácio dos Leões será de Lula, mas admite que o cenário preferencial seria uma candidatura de terceira via, que unisse as alas rompidas.