J&F pagou R$ 25 mi a escritório ligado a Ibaneis, depois de decreto favorável

Transações financeiras envolvendo o escritório de advocacia do governador Ibaneis Rocha (MDB-DF) e a J&F, empresa controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, somaram R$ 25 milhões em operações consideradas incomuns, conforme registros do Conselho de Controle de Atividades Financeiras ( Coaf ) acessados pelo jornal O Estado de S. Paulo . + Leia mais notícias de Política em Oeste Apesar de se declarar afastado da sociedade desde que assumiu o governo em 2018, Ibaneis mantém participação nos lucros do escritório, administrado atualmente por sua ex-mulher Luzineide Getro de Carvalho. O filho do governador, Caio Carvalho Barros, também integra a sociedade, com 27 anos. Ibaneis não se manifestou ao ser procurado, enquanto sua assessoria orientou que o contato fosse feito diretamente com o escritório. Os advogados do governador reiteraram seu afastamento desde 2018 e alegaram desconhecer detalhes das operações financeiras citadas. Escritório contesta insinuações e J&F defende legalidade dos pagamentos O escritório Ibaneis Advocacia e Consultoria informou que atua para a J&F em diversos processos judiciais, mas não detalhou os pagamentos de R$ 25 milhões. Em nota, a banca repudiou o que classificou como “tentativa de criminalizar a advocacia, sem a qual não há de se falar em Estado Democrático de Direito”. https://www.youtube.com/watch?v=BaJAP3Dv7dE Já a J&F Participações declarou que todos os pagamentos feitos são referentes a serviços devidamente comprovados, pagos com emissão de nota fiscal e recolhimento de tributos . A empresa afirmou que “mantém auditorias independentes que certificam e confirmam a governança e a retidão dos processos internos”. O PicPay negou ligação entre os repasses ao escritório de Ibaneis e o programa do governo do Distrito Federal . A parceria entre a Secretaria de Economia do DF e o PicPay foi viabilizada por um decreto de Ibaneis Rocha em 7 de agosto de 2024, permitindo convênios para empréstimos consignados. Com o acordo, servidores passaram a acessar adiantamento salarial pelo aplicativo do PicPay, sem cobrança de taxas, segundo a empresa. Negócios imobiliários e relações familiares Dois meses depois do início da parceria, o PicPay apresentou ao INSS um serviço de empréstimo consignado, ampliando sua base de clientes. Em março de 2025, Caio Barros adquiriu um apartamento duplex de R$ 9,2 milhões em Brasília, imóvel que pertenceu a José Antônio Batista Costa, sobrinho dos irmãos Batista e presidente da J&F. A compra, realizada no mesmo período dos repasses da J&F ao escritório, envolveu a aquisição do imóvel de Claudio França, que recebera o apartamento como parte do pagamento de José Antônio Batista Costa na compra de outra propriedade. França alegou que não negociou diretamente com Caio, tendo sido apresentado por uma imobiliária local. Na escritura, consta que Caio pagou R$ 3,3 milhões diretamente a França, com os R$ 5,9 milhões restantes financiados pelo BRB, banco público do DF, em parcelas de R$ 64,8 mil. Ao Estadão , Caio afirmou que utilizou doações dos pais para compor a entrada e não usou recursos do escritório familiar. “Minha mãe me deu um pedaço, meu pai me deu outro pedaço", explicou. "Nenhum dos valores veio do escritório, foi completamente fora do escritório. Eu paguei, financiei o saldo e estou pagando as parcelas hoje”. https://www.youtube.com/watch?v=i4ADK1Qj7AI Relações com fundos investigados e operações do BRB O escritório de Ibaneis também se destacou por sua relação com fundos ligados ao Banco Master e à Reag Investimentos, ambos investigados na Operação Compliance Zero por suspeita de fraudes financeiras. Entre 2019 e 2024, a banca negociou ao menos R$ 85,5 milhões em honorários com esses fundos. As investigações da Polícia Federal apontam que o BRB participou de operações para socorrer o Banco Master, chegando a anunciar a compra da instituição, que ofertou créditos podres na transação. Em nota, a J&F reforçou que "todo pagamento realizado pela J&F Participações se refere a produtos ou serviços comprovadamente prestados, mediante emissão de nota fiscal e recolhimento de todos os tributos devidos. Caso o relatório mencionado pela reportagem exista, configura um grave crime de quebra ilegal de sigilo bancário que as autoridades competentes têm o dever de investigar. A J&F mantém auditorias independentes que certificam e confirmam a governança e a retidão dos processos internos”. O post J&F pagou R$ 25 mi a escritório ligado a Ibaneis, depois de decreto favorável apareceu primeiro em Revista Oeste .