Uma moradora de Ohio foi indenizada em US$ 22,5 milhões, cerca de R$ 120 milhões, após a morte de sua filha recém-nascida, em um caso que envolve a recusa do empregador em conceder adaptações médicas durante uma gestação de risco. O júri considerou que a empresa Total Quality Logistics (TQL) teve responsabilidade parcial pelo desfecho. Segundo a ação judicial, Chelsea Walsh passou por uma cirurgia no colo do útero em fevereiro de 2021 para evitar um parto prematuro. Apesar da recomendação médica de repouso, a empresa teria exigido seu retorno ao trabalho apenas quatro dias depois, sob risco de perda do seguro de saúde. Gravidez de risco e desfecho trágico Duas semanas após o procedimento, a filha de Walsh, Magnolia, nasceu com 20 semanas e seis dias de gestação e morreu cerca de uma hora e meia depois. De acordo com o processo, dias após retornar ao trabalho, a mãe apresentou sangramento durante a madrugada, e os médicos não conseguiram conter a complicação. “Este é um desfecho devastador para uma família jovem”, afirmou o advogado Matthew C. Metzger, do escritório Wolterman, em comunicado reproduzido pela imprensa. Segundo ele, o júri concluiu que Walsh seguia orientações médicas e solicitou apenas a possibilidade de trabalhar de casa. A defesa da família sustenta que, durante a pandemia, a TQL permitia que funcionários trabalhassem remotamente por até duas semanas em casos de doença, o que teria levado Walsh a acreditar que teria o mesmo direito. “Ela estava numa situação impossível”, disse o advogado Brian Butler ao canal Local 12. Ainda segundo o processo, a empresa só reviu a decisão após intervenção externa, já depois do parto. Mesmo assim, Walsh teria sido orientada a retornar ao trabalho poucos dias após dar à luz. Posteriormente, deixou o emprego após declarações de um gerente, segundo as quais ela não teria sucesso na companhia caso não superasse o episódio. O júri fixou a indenização total em US$ 25 milhões, mas atribuiu 90% da responsabilidade à empresa, resultando no valor final de US$ 22,5 milhões. “As evidências mostraram que a recusa a um pedido razoável levou à morte da filha”, afirmou Metzger. Em nota ao Daily Mail, a diretora de comunicação corporativa da TQL, Julia Daugherty, declarou que a empresa discorda do veredito e da forma como os fatos foram apresentados no julgamento. Segundo ela, a companhia avalia medidas legais e reiterou compromisso com a saúde dos funcionários, além de manifestar condolências à família.