O ator, diretor e autor Juca de Oliveira, que morreu neste sábado (21), aos 91 anos, lembrou o dia em que comprou o icônico Teatro de Arena, em São Paulo, em conversa com o colega de profissão Carlos Vereza. Juca de Oliveira deixa uma única filha; conheça a herdeira do ator Espetáculo. Conheça as peças escritas por Juca de Oliveira, que morreu aos 91 anos Fundado nos anos 1950, o espaço se tornou o mais ativo disseminador da dramaturgia nacional que dominou os palcos nos anos 1960, aglutinando expressivo contingente de artistas comprometidos com o teatro político e social. Juca, que estava internado desde o último dia 13 em um hospital de São Paulo, recordou a história durante entrevista ao programa "Plano Sequência", da TV Escola, apresentado por Vereza. - Foi inacreditável! Eu tinha terminado de fazer uma série de espetáculos de grande sucesso no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), com o Flavio Rangel (diretor teatral e jornalista). E estava na pensão da minha mãe. De repente, toca a campanha e é Paulo José (ator), Flávio Império (cenógrafo e diretor teatral), e Augusto Boal (diretor teatral). Falei: "Mas que honra receber vocês, tomem um café...". E eles: "Nós estamos convidando você porque vamos comprar o Teatro de Arena e você vai ser um dos sócios" - contou Juca. Juca Oliveira: veja os papéis de destaque do ator em novelas O artista, cuja falta de dinheiro, à época, não impediu de topar a aventura, segue desenrolando o fio da história: - Eu era bancário, morava na pensão da minha mãe e falei: "Tá bem, se é para comprar vamos comprar!". Em seguida, sugeriu aos parceiros, que amealhassem o dinheiro para pagar o dono do espaço, José Renato (dramaturgo e fundador do Teatro de Arena), ao longo das temporadas teatrais dos espetáculos que montariam. - Mas acontece que o problema era que o Arena tinha apenas 100 lugares, era um teatro ínfimo! Era muito pouco o número de espectadores para fazer esse pagamento. Os sócios que compraram... O (Gianfrancesco) Guarnieri (ator), por exemplo, tinha dois filhos jovens que comiam bastante e consumiam muito dinheiro evidentemente. Acabamos comprando, fizemos grandes espetáculos, tivemos de grande sucesso e... jamais pagamos um tostão para o Zé Renato! Não pagamos nada. Ele olhava para nós e falava: "Ah, deixa isso para lá". Zé Renato era um grande triunfo!".