As Forças Armadas dos EUA declararam ter danificado neste sábado (20) um bunker iraniano que abrigava armas na região do Estreito de Ormuz, a passagem marítima por onde sai quase todo o petróleo do Golfo Pérsico. A operação foi feita enquanto milhares de iranianos celebravam com orações o Eid al-Fitr (data muçulmana que marca o fim do jejum do Ramadã). O objetivo era tentar romper o bloqueio que o Irã está impondo à saida de petroleiros pelo estreito. Entenda em 5 pontos: Por que é tão difícil reabrir o Estreito de Ormuz, rota vital para o transporte global de 20% do petróleo? Brad Cooper, almirante chefe do Comando Central dos EUA, afirmou que aviões de guerra americanos lançaram bombas de 2.268 kg sobre a instalação subterrânea na costa do Irã, que armazenava mísseis de cruzeiro antinavio, lançadores móveis de mísseis e outros equipamentos. — Não apenas destruímos a instalação, mas também locais de apoio de inteligência e repetidores de radar de mísseis que eram usados para monitorar os movimentos de navios — disse Cooper num comunicado em vídeo. Guerra e teocracia: Mortes de lideranças abalaram o regime no Irã, mas também deram força à linha-dura O exército dos EUA afirmou que atacou mais de 8.000 alvos no Irã desde o início da guerra, entrando na quarta semana do conflito com pouca clareza sobre o quão perto o governo Trump está de atingir seus objetivos. Cooper disse em comunicado que o poder de combate de Teerã foi substancialmente reduzido e que os danos incluíram 130 embarcações. As forças armadas do Irã, porém, continuaram a disparar mísseis e enviar drones contra Israel e países aliados dos EUA na região. O ataque a instalações perto de Ormuz pareceu ter como objetivo acalmar as preocupações dos mercados de energia. Mais de 20 alidaos dos EUA também emitiram um comunicado prometendo apoiar os esforços para reabrir a importante rota marítima. Uma declaração conjunta dos líderes de países predominantemente europeus, incluindo Reino Unido, França, Itália e Alemanha, mas também Coreia do Sul e Austrália, além dos Emirados Árabes Unidos e Bahrein, condenou o "fechamento de facto do Estreito de Ormuz pelas forças iranianas". Sanções afrouxadas Na sexta-feira, o Departamento do Tesouro dos EUA afrouxou as sanções comerciais contra o petróleo iraniano, permitindo que milhões de barris já carregados em navios pudessem ser vendidos. A medida foi tomada pela necessidade de controlar a explosão inflacionária do preço do petróleo com a guerra. A receio de que essa decisão, imposta aos EUA pela própria circunstância econômica, possa beneficiar seu adversário de guerra. Também na sexta-feira, o Irã atacou uma base conjunta britânico-americana na ilha de Diego Garcia, no Oceano Índico, a mais de 3.200 quilômetros do território iraniano, disse o Ministério da Defesa do Reino Unido. A tentativa de ataque não teve sucesso, segundo os britânicos, que não detalharam que tipo de armas o Irã teria usado na ofensiva. Um dos alvos da guerra sobre os quais há poucas informações é o programa nuclear iraniano e dos estoques de urânio enriquecido que ele mantém. No sábado, a imprensa estatal iraniana noticiou um ataque aéreo à instalação nuclear de Natanz — a 220 km e de Teerã — que já havia sido bombardeada pelos EUA e Israel em junho de 2025. Não foi possível verificar imediatamente a informação de forma independente. Os militares israelenses negaram ter atacado Natanz, e os militares americanos se recusaram a comentar. Especialistas e analistas dizem que provavelmente é impossível destruir o programa nuclear iraniano por via aérea, o que leva o presidente dos EUA, Donald Trump, a ponderar se deve enviar tropas terrestres para uma missão perigosa para apreender o urânio dentro do país asiático. Trump fez declarações contraditórias sobre os próximos passos da operação. Israel e os Estados Unidos atacam o Irã desde o final fevereiro, tendo já matado o líder de longa data do país e dando início a uma guerra que agora se espalhou por grande parte do Oriente Médio e além. Trump disse a repórteres na sexta-feira que não estava considerando um cessar-fogo com o Irã naquele momento. Mais tarde no mesmo dia, disse nas redes sociais que estava considerando "desacelerar nossos grandes esforços militares" no Oriente Médio, e não mencionou seu objetivo declarado anteriormente de acabar com o domínio de décadas do regime teocrático do país. Autoridades israelenses continuaram a dizer ao público para esperar uma campanha prolongada contra o Irã. No sábado, Israel Katz, ministro da Defesa, prometeu que os ataques conjuntos EUA-Israel contra o Irã "se intensificariam significativamente" na próxima semana.