Ainda não é o fim do mundo. Ou, como escreveu Manuel António Pina, ainda não é o fim nem é o princípio, “é apenas um pouco tarde”. Neste sábado, 21 de março, Dia Mundial da Poesia, reunimos poemas escolhidos por jornalistas da CNN Portugal, não para enfeitar a data com versos de ocasião, mas para se procurar na poesia qualquer coisa mais funda e mais útil do que o consolo. Uma forma de resistência, de lucidez, de fúria, de ternura, uma maneira de continuar a dizer o que a pressa, o ruído e a barbárie todos os dias nos tentam gastar. Há poemas de amor e de perda, de insubmissão, de ruína e de fogo, de beleza, poemas que não salvam ninguém mas ainda nos ajudam a respirar, a pensar, a fincar contra o medo. E a abrir este caderno está uma fotografia de Gerda Taro, fotojornalista, feita em Barcelona, em agosto de 1936: uma miliciana republicana em treino, joelho na areia, o revólver estendido, apanhada nesse instante raro em que tudo parece ainda exercício e já é guerra