Refinarias contratam só metade do petróleo já liberado pelos EUA de suas reservas estratégicas

Refinarias e traders contrataram cerca da metade dos 86 milhões de barris inicialmente oferecidos pelos Estados Unidos de suas reservas estratégicas de petróleo, de um volume total de 172 milhões de barris que o governo do presidente Donald Trump prometeu liberar como parte do esforço coordenado entre países para aliviar a disparada dos preços do petróleo e dos combustíveis em meio à guerra com o Irã. ANP: Importações de diesel caem 60%. Entidades do setor alertam para risco de desabastecimento Guerra no Oriente Médio: EUA suspendem sanções contra petróleo do Irã para conter aumento de preços De acordo com um documento do Departamento de Energia americano, cerca de 45 milhões de barris foram contratados pelas refinarias. Traders apontaram que o nível de interesse pelo volume de petróleo ofertado pelos EUA foi surpreendentemente baixo, considerando que o petróleo Brent tem sido negociado acima de US$ 100 por barril. Na sexta-feira, o Brent fechou acima de US$ 112. De acordo com comunicado do secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, a liberação dos estoques da reserva estratégica dos EUA levará cerca de 120 dias para ser concluída. A medida faz parte de um plano de alívio coordenado pela Agência Internacional de Energia (AIE), com o objetivo de reduzir os custos de energia. Pelo menos 30 países estão liberando até 400 milhões de barris de reservas ao redor do mundo. Nos termos da oferta de troca, oito empresas, incluindo refinarias e traders, tomarão emprestados 45,22 milhões de barris do estoque emergencial e deverão devolvê-los às cavernas subterrâneas do governo, com um prêmio de pelo menos 18%, até 2028. O braço de trading da Shell recebeu a maior quantidade, com 16,2 milhões de barris, seguido por Trafigura Group, Marathon Petroleum Corp e BP. Initial plugin text A reserva estratégica de petróleo dos EUA atualmente contém cerca de 415 milhões de barris, aproximadamente 60% da sua capacidade, após uma série de retiradas realizadas pelo governo do ex-presidente Joe Biden. Efeito da guerra: United Airlines vai cortar mais voos por causa da alta do petróleo Trump prometeu recompor os estoques da reserva. O sistema foi criado após o embargo do petróleo árabe na década de 1970 e é armazenado em cavernas de sal ao longo da costa do Golfo dos EUA. Sua capacidade máxima é de cerca de 713,5 milhões de barris. A guerra no Irã levou a uma interrupção quase total dos embarques pelo Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo global. Gasolina em alta nos EUA Um letreiro exibe os preços da gasolina sem chumbo e do diesel em um posto em São Francisco David Paul Morris/Bloomberg O petróleo de referência dos EUA — o West Texas Intermediate — tem sido negociado com um grande desconto em relação ao Brent, em parte porque a liberação das reservas emergenciais americanas está fortalecendo as perspectivas de oferta para refinarias da Costa do Golfo. Mesmo assim, os preços da gasolina no varejo nos EUA subiram ao nível mais alto em quase quatro anos, aumentando temores de aceleração da inflação. No Brasil: Governo cria força-tarefa para combater preços abusivos de combustíveis Trump enfrenta forte pressão política para lidar com a alta repentina dos preços dos combustíveis. As eleições legislativas de novembro, que decidirão o controle das duas casas do Congresso, dependem em grande parte da percepção dos americanos sobre o custo de vida, e pesquisas mostram uma avaliação negativa do público sobre a condução da economia pelo presidente. Estoques de gás de países da UE O comissário de Energia da União Europeia, Dan Jorgensen, orientou os Estados-membros a começarem a encher os estoques de gás mais cedo, a fim de evitar competição por suprimentos que poderia provocar alta de preços durante o verão no Hemisfério Norte, enquanto o bloco busca aliviar os efeitos da guerra no Irã. Da comida à gasolina: Europa corre para conter choque de preços causado pela guerra no Irã Em uma carta, Jorgensen afirmou que os governos também devem reduzir suas metas de enchimento dos estoques de gás para 80% e aproveitar ao máximo as flexibilidades oferecidas pela legislação do bloco europeu. Ele ressaltou que os países podem se desviar dessa meta de 80% em até 10 pontos percentuais, com uma margem adicional de cinco pontos percentuais disponível em condições de mercado desfavoráveis. Os países têm até 1º de dezembro para cumprir suas obrigações de armazenamento de gás. Previsão pessimista: CEO da Aramco, maior petrolífera do mundo, faz alerta sobre 'consequências catastróficas' da guerra “A segurança do abastecimento permanece relativamente protegida neste estágio, devido à dependência limitada de importações dessa região e às cargas de GNL que passaram pelo Estreito de Ormuz antes do conflito”, disse Jorgensen na carta aos Estados-membros, acrescentando: “Mas, como importadora líquida de energia nos mercados globais, os preços globais elevados e voláteis resultantes também podem impactar as injeções de gás nos estoques da UE.” A carta foi divulgada após os mais recentes ataques do Irã à produção de GNL do Catar, com reparos que devem levar até cinco anos. Embora a UE obtenha uma parcela relativamente pequena de seu gás do Oriente Médio, enfrenta maior concorrência no mercado global e os preços na Europa dispararam. Initial plugin text