Mísseis iranianos atingiram neste sábado a cidade israelense de Dimona, próxima à principal central nuclear do país, deixando dezenas de feridos em áreas urbanas próximas. Segundo Teerã, foi uma retaliação ao bombardeio, horas antes, das instalações de Natanz, principal complexo atômico do Irã. Nos dois casos, não foram registradas variações nos níveis de radiação, mas autoridades internacionais pediram cautela de ambos os lados. Medida emergencial: EUA suspendem sanções contra petróleo do Irã para conter aumento de preços Acusado de espionagem: Israel prende reservista das Forças Armadas suspeito de manter contato com o Irã e vazar informações sobre o Domo de Ferro Nas últimas 24 horas, foram ao menos cinco sequências de mísseis contra Dimona, localizada no sul do país, destruindo casas e um prédio de três andares, que desabou. Ao menos 30 pessoas ficaram feridas. Não foram divulgados danos sofridos na central nuclear. Também houve estragos em Arad, na mesma região do Deserto do Negev, com dezenas de feridos, de acordo com as autoridades locais — ali, militares anunciaram uma investigação sobre as falhas dos sistemas de defesa. De acordo com a imprensa estatal iraniana, o ataque foi uma resposta ao bombardeio realizado por Israel e EUA, também neste sábado, contra a central nuclear de Natanz, a principal do Irã. O local, apontado como uma das principais instalações de enriquecimento de urânio do país, foi atacado durante a guerra de 12 dias com Israel e EUA em junho do ano passado, e inspetores internacionais não foram autorizados ali desde então. O Centro de Pesquisas Nucleares em Dimona, no Deserto do Negev, em Israel Arquivo/AFP Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica, não há informações sobre vazamento de material radioativo em Natanz e Dimona, tampouco indícios de aumento nos níveis de radiação nas áreas próximas. Em dois comunicados semelhantes, o diretor da agência, Rafael Grossi, pediu que fosse observada a “máxima contenção militar, em particular nas proximidades das instalações nucleares” para evitar os riscos de um acidente nuclear. Em funcionamento desde os anos 1950, Dimona é o pilar do programa nuclear israelense, assim como o ponto central do desenvolvimento clandestino de armas atômicas, jamais reconhecido ou negado por Israel. O país não integra o Tratado de Não Proliferação Nuclear (o Irã foi um de seus primeiros signatários), não concede acesso a inspetores internacionais e teria, de acordo com estimativas, cerca de 80 ogivas operacionais.