O dia no Lollapalooza, que começou com enorme expectativa dos fãs pela primeira apresentação no Brasil de Chappell Roan, acabou mudando de clima conforme os frequentadores do festival viam a notícia da polêmica envolvendo a cantora. O jogador Jorginho Frello, do Flamengo, acusou publicamente a artista de intimidar, através de um segurança, a enteada dele, de 11 anos, filha do ator britânico Jude Law. Desde então, os fãs passaram a se dividir entre alguns decepcionados, outros preocupados e algumas piadas (na grade, alguns puxaram um coro de “foda-se o Flamengo”). Clima de rave: Skrillex inclui funk no set e faz multidão 'fritar' no Lollapalooza Fãs em lágrimas: Lewis Capaldi emociona público fiel no Lollapalooza em show com clima de superação Na primeira interação com o público, Chappell Roan citou Lady Gaga: “Eu vi ela se apresentando no Rio e pensei ‘uau, espero fazer isso algum dia’. E aqui estamos nós”, disse. O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere, se apressou em dizer que enquanto ele comandar a cidade, a artista nunca vai se apresentar no projeto Todo Mundo No Rio: “Duvido que a Shakira faria isso”, disse, em referência à próxima atração. Mais adiante, a controvérsia voltou ao palco: ao agradecer a equipe, ela citou os seguranças. No início da apresentação, a cantora foi ovacionada por uma legião de fãs — muitos com looks inspirados no visual característico da artista — que bateram leques e berraram com a chegada e a primeira música do setlist, “Super Graphic Ultra Modern Girl”, que furou a bolha no Brasil ao fazer parte da trilha sonora do remake da novela “Vale tudo”, da TV Globo. 'When did you get hot': Sabrina Carpenter domina Interlagos com show dançante e descobre que é 'gostosa' Na sequência veio o momento de maior comoção de Chappell: o single “HOT TO GO!”, em que um mar de gente fez a coreografia durante o refrão, soletrando o nome da canção com os braços. A apresentação foi repleta de outros hits, como “Red Wine Supernova”, “Good Luck, Babe!” e “Pink Pony Club”. Causa LGBT Apesar das polêmicas envolvendo fãs, a cantora está a frente do “Midwest Princess Project”, iniciativa que tem como objetivo fornecer apoio direto a jovens trans e comunidades LGBTQIAPN+. A plataforma de filantropia de Chappell Roan permitiu que a Casa 1, centro de cultura e acolhimento da comunidade, participasse do Planeta Lolla, uma área destinada a conectar quem curte o festival com causas ambientais e sociais. — Já tem alguns anos que o Lolla convida a gente para participar do evento no Planeta Lolla, que é essa área que conecta público com iniciativas sociais, mas a gente nunca teve estrutura para conseguir participar, e aí esse ano a gente avançou um pouco nesse processo de estrutura e teve um match aí. Então a equipe do Lolla colocou a gente em contato com a equipe do The Midwest Princess Project, que é a ONG da Chappel Roan, que colaborou para a gente viabilizar — afirma Iran Giusti, presidente da Casa 1, ressaltando que o projeto passou por dificuldades recentemente — Tivemos um final de ano muito turbulento, a gente quase fechou as portas em 2025. Então essa iniciativa foi muito bacana e viabilizou a gente estar aqui no Lollapalooza com o estande. O presidente da ONG exalta o apoio de artistas internacionais e cobra uma postura parecida de cantores brasileiros. — Essa iniciativa de grandes artistas estadunidenses e estrangeiros de financiamento, de ter a sua própria fundação e organização para suporte de outros projetos, foge um pouco da realidade do Brasil. É uma diferença muito gritante. A gente é um projeto brasileiro que pensa muito no Brasil, que pensa muito no global, mas nesse campo de artistas e financiamento a gente tem uma deficiência muito grande em relação a artistas estadunidenses. O estande da Casa 1 está aberto todos os dias de festival, com ponto instagramável, loja e oficinas de botton, crochê e pintura em tecido. — São programações que a gente tem no nosso centro cultural e que migraram para o Lolla para o pessoal se sentir um pouco mais próximo. É também uma forma de incentivo para conhecerem a Casa 1 e participarem dos projetos — convidou Giusti.