Aos 42 anos, Jaqueline Carvalho, bicampeã olímpica em Pequim-2008 e em Londres-2012, está prestes a cumprir sua meta na volta ao vôlei. A atleta que estava aposentada e não atuava desde a temporada de 2021, voltou ao esporte pelo Pinheiros, time da Superliga B, na tentativa de recolocar a equipe na elite nacional. E nesta segunda-feira, às 18h30, o Pinheiros recebe o Chapecó, no Ginásio Henrique Villaboim, em São Paulo, pela terceira e última partida da fase semifinal. O time que vencer garantirá vaga na Superliga, uma vez que ambos os finalistas da Superliga B subirão na temporada 2026/2027. Pela outra semifinal, o Brusque pode avançar neste domingo para a decisão caso vença novamente o Ceará. Em partida realizada na segunda-feira, em Santa Catarina, o time da casa venceu por 3 sets a 2. — Sou a mais experiente da equipe, jogo com meninas de 20 anos, mas estou igual a uma criança... Aquele friozinho na barriga não muda. Me sinto exatamente assim. Fico nervosa, durmo pouco. Faz parte. Isso quer dizer que ainda tenho amor pelo vôlei — comenta a jogadora, que teve grande exibição na última partida. Jaqueline comemora ponto importante em último jogo da semifinal da Superliga B Divulgação Pinheiros Jaqueline, que atuou como ponteira, levou o Pinheiros ao empate da série semifinal em 1 a 1, em confronto com o Chapecó, na última terça-feira. O time paulista precisava vencer para foçar a terceira e última partida da série. Ela marcou 14 pontos, sendo a segunda maior pontuadora do time, atrás apenas de Thainá Kiarele, com 15. O Pinheiros devolveu o placar de 3 sets a 1 contra o Chapecó, no Ginásio Henrique Villaboim, com parciais de 25/21, 22/25, 25/19 e 25/21. Dores na reta final Jaqueline atuou como ponteira pela segunda vez desde o retorno ao esporte. Para poupar os joelhos, que já passaram por três cirurgias, ela estava jogando como líbero. Na 13ª rodada do torneio, contra o Brusque, no dia 13 de fevereiro, ela "estreou" como ponteira. O Pinheiros venceu por 3 sets a 0, ela marcou 4 pontos e deixou a quadra com dores na panturrilha direita. Quando voltou aos jogos, quase um mês depois, para o primeiro duelo da semifinal, em Chapecó, Jaqueline jogou como líbero. Até o momento ela disputou 15 jogos, 13 como líbero e dois como atacante. Jaqueline ataca pelo Pinheiros, na Superliga B de 2025/2026 Ricardo Bufolin/Pinheiros — Avalio a minha volta às quadras de uma maneira bem positiva. Não imaginava que iria ajudar tanto o time. Eu queria muito atuar como líbero, ter esta oportunidade. E para quem nunca tinha feito, acho que fui bem. Sempre tive muito prazer em passar e defender e ver uma companheira de time fazer o ponto. Adoro lindas defesas... Mas sabia que, chegando nessa fase final, eu teria de dar um algo a mais, poder ajudar na ponta — comenta a jogadora. Jaqueline conta que a parte mais complicada deste retorno são as dores. Disse que este tem sido o pior momento desde o início da temporada. Observa que não fez uma pré-temporada para saltar porque sua função seria a de líbero. E que chegou no nível das companheiras de time em apenas um mês de treinos porque havia se preparado para a função de defesa. — Agora é que não está sendo fácil (risos) — declara a jogadora, que admite dores musculares após o último jogo. — Sei que faz parte, é normal. Essa é a pior coisa. Mas tem a melhor parte que é poder ajudar as atletas, passar minha experiência adiante, estar num clube formador de jogadoras e ver as crianças da categoria de base... Muitas me reconhecem. É tão legal... E para mim, que nunca tinha jogado em uma equipe em que eu era a mais experiente, estou aprendendo também. A gente está sempre aprendendo. Jaqueline, de volta ao vôlei, pelo Pinheiros Ricardo Bufolin/Pinheiros Entre as dificuldades, Jaqueline destaca ainda a mudança radical no dia a dia. Mãe de Arthur, de 12 anos, ela estava feliz e acostumada com a rotina da casa, da família. Após a aposentadoria, priorizou estar ao lado do filho, levá-lo para a escola, etc. E voltar ao ritmo de atleta de alto rendimento exigiu retomar o esquema anterior. Ela, no entanto, destaca o apoio do marido, o ex-jogador Murilo, nessa equação. — Ele é o ponto forte para mim e para o Arthur. Ele tem sido meu técnico, meu preparador fisico, meu ajudante diário, meu fisioterapeuta... tem sido tudo. Porque esse retorno às quadras não foi fácil, foi difícil. Não vou mentir. Mas tem sido muito bacana ver o comprometimento dele também nessa empreitada. Jaqueline brinca que o marido a apoiou porque não aguentava mais ser "vítima" de seus vídeos caseiros. Com menos tempo "disponível", ele seria poupado das brincadeiras. É que Jaqueline gosta de postar vídeos em suas redes socias envolvendo o marido. E eles são divertidíssimos. — Certeza que foi isso, para dar um refresco para ele. Eu adoro e ele não é muito dessas brincadeiras, mas está se soltado mais — fala, aos risos. — Estou tão focada no Pinheiros, que não tenho cabeça para os vídeos. Eu estou bem feliz e quero aproveitar muito essas partidas ainda. Não sei quando será o último jogo. O que eu mais gosto quando jogo? De ganhar (risos). Sobre o futuro, Jaqueline ainda não bate o martelo. Não decidiu se continua no Pinheiros, caso o clube suba à elite. Ela disse que gostaria de se dedicar a um novo desafio, aproveitando sua vocação engraçada e comunicativa. — Tudo terá de ser muito conversado entre eu e o Murilo. Não decido minha vida só, tenho uma família por trás... Voltei por amor ao vôlei, a saudade apertou — fala Jaqueline sobre a possibilidade de voltar à elite se o Pinheiros se classificar — Se eu não continuar no vôlei, bom, sempre sonhei em ser apresentadora. Eu falo demais e acho que me daria muito bem.