O Dia Mundial da Água, celebrado hoje, foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1993, para alertar o mundo sobre a crescente crise hídrica que afeta bilhões de pessoas. A data surgiu no contexto da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio-92, encontro que marcou uma mudança importante na forma como a humanidade passou a encarar a relação com os recursos naturais e que abriu caminho para grandes acordos ambientais nas décadas seguintes. Mais de 30 anos depois, o desafio permanece enorme: cerca de 2,2 bilhões de pessoas ainda não têm acesso seguro à água potável, segundo a própria ONU. Diante desse cenário, governos, organizações da sociedade civil, empresas e cidadãos são chamados a repensar a forma como utilizam, administram e preservam os recursos hídricos. O mercado imobiliário tem feito esforços para se juntar ao movimento, embora precise equilibrar pratos. De um lado, está a necessidade evidente de reduzir o consumo de água; de outro, o apelo que itens como piscinas, chafarizes e outras estruturas aquáticas exercem sobre os moradores. Algumas empresas já tentam conciliar esses interesses com práticas mais sustentáveis. A Patrimar, por exemplo, adota em seus empreendimentos na Barra da Tijuca soluções alinhadas aos critérios da certificação EDGE, um selo internacional voltado para edifícios verdes. Para obtê-lo, os projetos precisam alcançar pelo menos 20% de economia em água, energia e materiais. A instalação de bacias sanitárias com duplo acionamento e de torneiras e chuveiros equipados com dispositivos que limitam a vazão está entre as iniciativas que reduzem o consumo sem prejudicar o desempenho. Destaca-se ainda a medição individualizada de água por radiofrequência, que permite mais controle e transparência para os moradores. — Nas áreas comuns, usamos águas pluviais para irrigação, sistemas de regadura por gotejamento e espécies nativas no paisagismo, que reduzem a necessidade de irrigação artificial — afirma a diretora de Inovação e ESG do Grupo Patrimar, Patricia Veiga. FILTRAGEM Os condomínios da Calper na Barra Olímpica também reaproveitam a água da chuva na limpeza e na irrigação dos jardins e usam torneiras com fechamento automático nas áreas comuns e vasos sanitários com sistema Dual Flux em todo o prédio. As práticas sustentáveis se estendem às piscinas, como no modelo de ondas do Arte Wave Surf Residences, a primeira voltada à prática do surf indoor no Rio de Janeiro. — Nossas piscinas têm sistemas de filtragem e tratamento que garantem manutenção eficiente e permitem manter a mesma água em uso por longos períodos. Com suporte técnico e produtos adequados, evitamos desperdício e asseguramos o lazer dos moradores — explica a diretora da Calper Construtora, Niceli Maini. Diretor-executivo da imobiliária Somma Rio, Sandro Morais afirma que a água continua sendo um elemento importante em projetos de alto padrão. No Bothanica, empreendimento recém-lançado pela Bothanica Urbanismo, no Recreio, e comercializado pela Somma, por exemplo, o projeto inclui até uma praia artificial. Segundo ele, hoje já é possível unir esse tipo de recurso a soluções sustentáveis sem comprometer a qualidade ou a experiência dos moradores. Ele ressalta que fachadas biofílicas ajudam a captar e reter a água da chuva, reduzindo o escoamento urbano e melhorando o microclima, enquanto fontes, espelhos d’água e lagos artificiais contribuem para o conforto térmico. — Além disso, sistemas de reúso e ferramentas de inteligência artificial permitem otimizar o consumo, monitorar usos e identificar desperdícios, conciliando sustentabilidade com o nível de sofisticação que o público de alto padrão espera — afirma Morais.