"A violência contra as mulheres tornou-se uma espécie de pandemia contínua. Obrigá-las a parir o filho do violador parece-me diabólico"

ENTREVISTA || Em “Travessias”, livro publicado pela Editorial Caminho, reúnem-se crónicas de Djamila Ribeiro escritas num período política e socialmente conturbado. É uma das principais vozes do feminismo negro contemporâneo no Brasil. “Existe um risco real de transformar a sobrevivência em destino. Quando romantizamos a resistência, corremos o risco de naturalizar a violência”. Com a CNN Portugal, a pensadora brasileira reflete sobre as relações coloniais dos dois lados do Atlântico. “Portugal e Brasil não resolvem os seus fantasmas. A descolonização do pensamento é um processo inacabado e muito longe de estar resolvido”. E sobre a necessidade de, numa América Latina em transformação, o Brasil ter de “reaprender a olhar para o lado”: uma nova geração da família Bolsonaro poderá vir a provar que as ondas progressistas são, afinal, “marolas” que “vêm passageiras”