O Ministério da Inteligência do Irã anunciou a prisão de 25 pessoas acusadas de colaboração com Israel, país que, ao lado dos EUA, trava uma guerra contra Teerã há três semanas, com impactos sentidos no Oriente Médio e ao redor do mundo. As detenções também confirmam que as autoridades aumentaram a repressão interna em meio aos bombardeios, na tentativa de evitar protestos e insurreições contra o regime. Ameaça: Israel atacará 'pessoalmente' cada líder do Irã, diz Netanyahu Entrevista ao GLOBO: Com guerra no Irã, Trump financia o principal inimigo da Europa, afirma cientista político Em comunicado, o ministério afirmou que os detidos compartilharam coordenadas de instalações militares em uma “plataforma internacional de mídia”, supostamente ligada a Israel, e que trabalhavam para fomentar “distúrbios nas ruas” da província de Markazi, no noroeste do país. As prisões também ocorreram na província de Golestão, no nordeste, sob alegação de que planejavam ataques contra bases da polícia. Nas últimas três semanas, dezenas de pessoas foram presas sob acusação de colaboração com Israel, EUA e com a oposição ao regime no exterior. Em alguns casos, os detidos publicaram imagens de ataques em cidades iranianas em redes sociais, e não necessariamente agiram como espiões no sentido formal da palavra. Em mensagem escrita publicada na sexta-feira, quando o Irã celebrou o Ano Novo Persa, o líder supremo, Mojtaba Khamenei, pediu à imprensa local que evitasse “ressaltar fraquezas”, dizendo ser necessário manter a coesão nacional. Initial plugin text Semanas antes da guerra, o Irã enfrentou uma das maiores ondas de protestos desde o estabelecimento da República Islâmica, centrados na piora das condições de vida do país e que traziam um forte componente contra o sistema estabelecido há 47 anos. O movimento foi reprimido com força, deixando dezenas de milhares de mortos, de acordo com organizações independentes, e um número incerto de feridos. O presidente dos EUA, Donald Trump, por pouco não atacou o país em janeiro, sob alegação de ajudar os manifestantes a derrubarem o regime, mas foi convencido por aliados, especialmente as monarquias árabes, a mudar de ideia. Mas desde o final de fevereiro, quando decidiu iniciar os bombardeios, ao lado de Israel, ele cita repetidamente a repressão ao tentar justificar um conflito impopular nos EUA — neste domingo, ao ser perguntado sobre as ameaças de Trump de atacar instalações energéticas, caso o Estreito de Ormuz siga fechado, e se isso não seria um crime de guerra, o embaixador americano na ONU, Mike Waltz, mencionou os protestos. — Eu encorajaria e encorajarei o secretário-geral (da ONU) a destacar os 20 a 30 mil iranianos que o regime massacrou em larga escala — disse Waltz, em entrevista à rede CBS. — Não tenho dúvidas de que o presidente, o Pentágono e sua equipe garantirão que seus alvos sejam direcionados à infraestrutura militar do Irã. O premier israelense, Benjamin Netanyahu, vê o atual governo iraniano como uma ameaça existencial ao seu país, e diz que o objetivo de sua guerra é criar as condições para uma mudança de comando em Teerã, embora reconheça que isso não acontecerá tão cedo. Entenda em 5 pontos: Por que é tão difícil reabrir o Estreito de Ormuz, rota vital para o transporte global de 20% do petróleo Para o regime, reprimir focos de resistência e abafar levantes também faz parte de sua estratégia de sobrevivência. Nos protestos do começo do ano, a República Islâmica já se encontrava em seu ponto mais frágil desde a Revolução de 1979, e agora, sob bombardeios, as fissuras poderiam surgir como brechas para uma revolta interna. Na quinta-feira passada, três pessoas foram executadas após serem condenadas por acusações ligadas aos protestos, incluindo um membro da seleção nacional de luta livre. Para analistas, foi um recado à população. — Ao executar esses três indivíduos, o regime quer demonstrar que ainda mantém o controle total da situação — disse à rede CNN o jornalista iraniano Mehrdad Farahmand.