A esquerda manteve neste domingo o controle das prefeituras de Paris e Marselha em eleições municipais disputadas na França, consideradas um importante teste político a um ano da corrida presidencial de 2027. Embora o pleito tenha forte dinâmica local, o resultado também revelou o avanço da extrema direita e da esquerda radical em cidades médias do país. A participação eleitoral foi estimada em cerca de 57%, patamar semelhante ao registrado no primeiro turno. O índice confirma um quadro de desinteresse crescente dos eleitores pelas eleições municipais, a segunda maior taxa de abstenção da história recente, atrás apenas do pleito de 2020, realizado durante a pandemia de Covid-19. A votação ocorre em meio a um cenário de instabilidade política no país. Desde as eleições legislativas antecipadas de 2024, a França vive uma fragmentação inédita, com três blocos, esquerda, centro-direita e extrema direita, dividindo o Parlamento sem maioria clara. O resultado também ajuda a medir o peso das forças políticas antes da eleição presidencial de 2027, para a qual o atual presidente, Emmanuel Macron, não poderá concorrer novamente. Initial plugin text Vitória da esquerda moderada em Paris Na capital, o deputado socialista Emmanuel Grégoire venceu com folga a ex-ministra conservadora Rachida Dati, candidata apoiada pela aliança entre a direita tradicional e o campo macronista. Segundo estimativa do instituto Ipsos BVA Cesi, Grégoire obteve 53,1% dos votos. O resultado garante a continuidade da gestão socialista na capital francesa. Grégoire sucederá a prefeita Anne Hidalgo e se tornará o terceiro socialista consecutivo à frente da prefeitura desde 2001. "Paris decidiu permanecer fiel à sua história", declarou o prefeito eleito após a vitória. A vitória também representa um reforço para a esquerda moderada, que decidiu não formar aliança com a candidata da esquerda radical, Sophia Chikirou, ligada ao partido A França Insubmissa, de Jean-Luc Mélenchon. Para o líder socialista Olivier Faure, o resultado demonstra que estratégias mais radicais dentro da esquerda não têm sido eficazes. Marselha segue sob comando da esquerda A esquerda também manteve o controle da prefeitura de Marselha. O prefeito em exercício Benoît Payan venceu o deputado de extrema direita Franck Allisio, após a retirada no segundo turno do candidato da esquerda radical para evitar uma vitória da extrema direita. Os socialistas também devem manter a prefeitura de Lille, em aliança com os ecologistas, e conquistar Estrasburgo, anteriormente governada por ambientalistas, em uma coalizão com a direita. Centro-direita celebra vitória em Le Havre No campo de centro-direita, um dos principais vencedores foi o ex-primeiro-ministro Édouard Philippe, que foi reeleito prefeito de Le Havre. Philippe já havia condicionado sua eventual candidatura à presidência em 2027 à reeleição na cidade. "Os moradores de Le Havre sabem que há razões para ter esperança quando pessoas de boa vontade se unem e afastam os extremos", afirmou. Extrema direita e esquerda radical avançam Apesar das vitórias da esquerda moderada nas grandes cidades, os primeiros resultados também indicam crescimento da extrema direita e da esquerda radical em diversos municípios médios. O partido de Mélenchon conquistou a prefeitura de Roubaix, após já ter vencido Saint-Denis no primeiro turno. No entanto, a legenda não conseguiu tomar da direita cidades como Toulouse e Limoges. Já a líder da extrema direita Marine Le Pen afirmou que seu partido conquistou “dezenas” de municípios, embora tenha falhado em objetivos estratégicos como Marselha, Toulon e Nîmes. Com Le Pen atualmente inelegível, pesquisas apontam o eurodeputado Jordan Bardella como principal nome da extrema direita na disputa para suceder Macron em 2027.