Israel antecipou neste domingo que a guerra contra o Irã e o grupo libanês Hezbollah deve durar ainda várias semanas, enquanto amplia os ataques no Líbano, onde bombardeios e operações militares vêm provocando uma grave crise humanitária. Por enquanto, não se vislumbra uma saída para o conflito, que já dura mais de três semanas e mantém a economia global em alerta devido ao risco de que a disparada do petróleo pressione a inflação. "Cidadãos de Israel, teremos mais semanas de combates contra o Irã e o Hezbollah", declarou neste domingo o porta-voz militar Effie Defrin. Mais cedo, o chefe do Estado-Maior de Israel, o tenente-general Eyal Zamir, afirmou que a operação contra o Hezbollah está apenas no início e descreveu a ofensiva como "de longo prazo". Segundo ele, o Exército israelense vai intensificar as operações terrestres seletivas e ampliar os ataques em território libanês. Desde que o Hezbollah começou a disparar foguetes contra Israel em 2 de março, as forças israelenses lançaram uma campanha de bombardeios e avanços terrestres em uma faixa ao longo da fronteira com o Líbano. A ofensiva já deixou milhares de mortos e mais de um milhão de deslocados no país. Neste domingo, o Exército israelense atacou uma ponte importante na principal rodovia costeira que liga a região de Tiro ao restante do país. O bombardeio ocorreu após o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmar que o governo ordenou a destruição de infraestruturas supostamente utilizadas pelo Hezbollah. "Prelúdio de uma invasão" O presidente do Líbano, Joseph Aoun, condenou o bombardeio da ponte e afirmou que os ataques israelenses contra infraestrutura no país podem indicar uma nova escalada militar. Em comunicado, ele declarou que a destruição de estradas e pontes constitui "o prelúdio de uma invasão terrestre". Segundo o ministro da Defesa israelense, o Exército também pretende "acelerar a destruição das casas libanesas nos vilarejos de contato" ao longo da fronteira, com o objetivo de "neutralizar as ameaças que pesam sobre as comunidades israelenses". De acordo com a agência libanesa ANI, as forças israelenses destruíram "um certo número de casas" no vilarejo de Taybeh. Horas antes, os serviços de emergência israelenses informaram a morte de uma pessoa perto da fronteira. O Hezbollah reivindicou um ataque contra soldados israelenses, mas o Exército abriu uma investigação para determinar se a morte pode ter sido causada, na verdade, por fogo amigo. Escalada regional Em paralelo à ofensiva no Líbano, o Exército israelense também realiza bombardeios "no coração de Teerã", capital do Irã. — Todos nós perdemos nosso trabalho, já não temos renda e não sabemos por quanto tempo poderemos continuar assim — contou à AFP Shiva, uma moradora de Teerã de 31 anos. O diretor da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, advertiu que os recentes ataques contra instalações nucleares fazem com que o conflito entre em uma "fase perigosa".