Lorde tira a roupa e se entrega em show moderno e visceral no Lollapalooza

Lorde empolga público do Lollapalooza com o hit “Royals” Lorde cresceu com os fãs para quem se apresentou neste domingo (22), no Lollapalooza. De tempos em tempos, vem ver como a gente está, e vice-versa. A artista já veio ao Brasil em todas as suas fases: em 2014, como a adolescente deslocada de "Pure Heroine"; em 2018, mais visceral e dramática no "Melodrama"; no icônico Primavera Sound 2022, no psicodélico "Solar Power" (ainda que hoje, no show, ela tenha esquecido que essa foi a última vez). Agora, trouxe uma versão do show da “Ultrasound Tour”, que promove o disco “Virgin”. Foi recebida no Lolla por uma multidão gigantesca, a maior que o palco secundário viu neste festival. No quesito shows, Lorde é um camaleão e adapta bem o conceito de cada álbum. Quem a viu em 2022, loira em um cenário grandioso, pode não reconhecer a artista de camiseta rasgada e calça jeans em cenário minimalista. Lorde se apresenta no Lollapalooza Brasil 2026 Fábio Tito/g1 Cantando “Hammer”, Lorde parecia mais um alien: usava um óculos que emitia luzes – como se ela mesma fosse um híbrido de gente e máquina. “Vocês não vão sair daqui enquanto não forem uma pilha no chão”, disse. Essa mistura de sintético e orgânico, sintetizadores e letras sobre o corpo, é o tema central de “Virgin”. No show, dá pra ver como o conceito tá redondinho. Lorde desdobrou o disco em várias ideias, na performance, no telão e nas roupas. E aplicou até às antigas, dando uma roupagem nova a tudo que os fãs já ouviram em outros shows. Ela cantou “Buzzcut Season” para um ventilador, enquanto a câmera a captava atrás de grade; na sexual “Current Affairs”, começou a se despir, ficando de camiseta e cueca; em “Man Of The Year”, colou silver tape nos seios. A galera cantou, chorou, dançou. Pulou horrores em “Green Light”. No fim, ela chegou perto do público e “se entregou” aos abraços dos fãs – até onde os seguranças deixaram, pelo menos. Uma das artistas mais influentes de sua geração, Lorde se fez por refletir seu próprio tempo nas suas composições. O mais impressionante é que isso não fica só nas músicas: a cada apresentação, ela tira novos coelhos da cartola. Não há artista como ela, e nenhum show igual ao outro. Se continuar assim, Lorde nunca vai ficar sem público por aqui. Cartela resenha crítica g1 Arte/g1