A quantidade de calor acumulada pela Terra atingiu um nível recorde em 2025, com potenciais consequências por centenas, ou mesmo milhares, de anos, alertou nesta segunda-feira a Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU. Entenda: inclinação da Terra no outono afeta o Brasil na nebulosidade, formação de frente fria e até ciclones Estados Unidos: cidade vai de mínima recorde de -10,5°C para 32,8°C apenas quatro dias depois — O clima global está em estado de emergência. Estamos levando o planeta Terra além de seus limites. Todos os principais indicadores climáticos ultrapassaram o limiar de alarme — alertou o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, por ocasião da publicação do relatório anual da OMM sobre o estado do clima. Pela primeira vez, este relatório incorpora o desequilíbrio energético da Terra entre seus principais indicadores climáticos, que contabiliza a taxa na qual a energia entra e sai do sistema do planeta. Em um clima estável, a quantidade de energia solar recebida é aproximadamente igual à quantidade de energia emitida. Mas esse equilíbrio está sendo perturbado pelo aumento das concentrações de gases de efeito estufa (CO₂, metano e óxido nitroso), que causam o aquecimento contínuo da atmosfera e dos oceanos, bem como o derretimento das geleiras. O desequilíbrio se intensificou desde o início dos registros de observação em 1960 e, particularmente, nos últimos 20 anos, atingindo "um novo recorde em 2025", observou a OMM. — A atividade humana está perturbando cada vez mais o equilíbrio natural, e sofreremos as consequências por centenas e milhares de anos — afirmou a Secretária-Geral da OMM, Celeste Saulo, da Argentina. Calor Oceânico Em seu relatório, a OMM confirma que o período entre 2015 e 2025 marca os 11 anos mais quentes já registrados, e que 2025 ocupa o segundo ou terceiro lugar, com uma temperatura aproximadamente 1,43°C acima da média do período de 1850 a 1900. O ano de 2024, que começou sob a influência de um poderoso evento El Niño, permanece o ano mais quente já registrado, reitera a organização. "Eventos extremos em todo o mundo, como ondas de calor intensas, chuvas torrenciais e ciclones tropicais, causaram transtornos e devastação, e destacaram a vulnerabilidade de nossas economias e sociedades interconectadas", observou a OMM. O aquecimento dos oceanos e o derretimento do gelo estão causando uma elevação de longo prazo no nível médio global do mar, que se acelerou desde o início das medições por satélite em 1993. Em 2025, esse nível estava quase 11cm mais alto do que no início das observações. 91% do excesso de calor é armazenado no oceano, que atua como um amortecedor contra o aumento das temperaturas em terra. No entanto, de acordo com a OMM, "o conteúdo de calor dos oceanos atingiu um novo recorde histórico em 2025, e a taxa de aquecimento dos oceanos mais que dobrou entre 1960-2005 e 2005-2025". Ao mesmo tempo, as calotas polares da Antártida e da Groenlândia perderam massa considerável, e a extensão média anual do gelo marinho do Ártico em 2025 foi a menor ou a segunda menor já registrada na era dos satélites. "Caos Climático" John Kennedy, especialista da OMM, declarou à imprensa que o clima ainda estava sob a influência de um evento La Niña, associado a temperaturas globais mais baixas. — As previsões geralmente indicam um retorno à neutralidade até meados do ano, com um possível evento El Niño mais tarde [...]. Portanto, poderíamos ver um novo aumento nas temperaturas em 2027 — explicou, acrescentando que nada era certo nesta fase. "Sejamos francos, a situação é bastante alarmante [...]. Usamos essas informações para refinar nossas previsões e justificar a necessidade de sistemas de alerta precoce, a fim de fazer todo o possível para mitigar as consequências, mas [...] esses indicadores não estão evoluindo de uma forma que sugira um resultado favorável — admitiu o Secretário-Geral Adjunto da OMM, Ko Barrett, à imprensa. — O relatório apresentado hoje deve vir acompanhado de um alerta: o caos climático está se acelerando e qualquer atraso na tomada de medidas terá consequências mortais — enfatizou Guterres.