Desde que “O testamento: O segredo de Anita Harley” caiu na boca — e no feed — do povo, a diretora da série, Camila Appel, jornalista que faz parte do Núcleo de Documentários dos Estúdios Globo, é constantemente entrevistada na rua. As perguntas vão de “quem você acha que tem razão na disputa judicial?” a “vai ter continuação?”. Para a segunda, ela diz: Patrícia Kogut: 'O testamento — O segredo de Anita Harley', no Globoplay, é convite à maratona — Não estamos programando nada, mas é uma história em aberto. A jornalista tem sido tão reconhecida porque é uma importante personagem da série. De frente para a câmera, ela conduz o espectador pela labiríntica história. A ideia de que ela aparecesse surgiu aos 45 do segundo tempo e veio dos colegas de Núcleo Ricardo Calil e Iuri Barcelos, que assinam com ela o roteiro. Camila Appel diretora de 'O testamento Divulgação Globo — Estava tudo gravado, editado — conta a jornalista. — Mas sentimos falta justamente do efeito de quando eu contava essa história para as pessoas. Brincávamos falando que eu andava para cima e para baixo na Globo contando esse caso (risos). E era esse impacto que não tínhamos. Então, o Calil e o Iuri disseram: “você tem que entrar”. Espalhar a palavra do “testamento” não foi um processo fácil, ela diz. As pessoas gostavam da história, mas não se convenciam de que daria uma boa série — ela já havia feito antes uma matéria para o Fantástico contando parte do imbróglio. Quando finalmente conseguiu o sinal verde, veio mais uma leva de convencimento, agora com Daniel Silvestri, Suzuki e Arthur. — Eles tinham medo de uma edição injusta, de dar entrevista e eu colocar um segundo. Mas ninguém achou que teve mais ou menos espaço. Ninguém se sentiu traído. Diretor do Núcleo de Documentários, Pedro Bial fala justamente que essa “edição sem juízo de valor” é um dos pilares do sucesso das produções do departamento: —(Por exemplo), em “Vale o escrito” e “O testamento”, estão ali contadas histórias. Não tem bandido ou mocinho. Da mesma forma que na série do jogo do bicho, a audiência já pegou para si a história e transformou alguns dos entrevistados em ícones pop. As primas de Anita, Andréa e Juliana Lundgren, que o digam. —Sabia que elas eram carismáticas, mas, para mim, essa história toda é muito triste — diz Camila.