Casal britânico preso no Irã denuncia abandono e diz que acusações de espionagem são falsas: 'Situação ameaça nossas vidas'

O casal britânico Craig Foreman e Lindsay Foreman, ambos de 53 anos, presos no Irã desde janeiro de 2025 sob acusação de espionagem, afirma que foi abandonado pelo governo do Reino Unido e que as provas contra eles são falsas. Em mensagem transmitida por telefone e divulgada pelo filho, Joe Bennett, Craig disse que os dois se sentem "desamparados, sozinhos e completamente frustrados". Efeito interno: Guerra de Trump contra o Irã eleva preço da gasolina e preocupa republicanos antes das eleições Piloto e copiloto morrem: Avião colide com veículo de bombeiros no aeroporto LaGuardia, em Nova York Segundo ele, o governo britânico tem conhecimento da inocência do casal, mas não a reconheceu publicamente. — É muito difícil entender por que nossa inocência não foi afirmada publicamente. Não somos espiões. As acusações contra nós simplesmente não são verdadeiras — afirmou. Ele também criticou o que chamou de "uma grave falta de comprometimento" das autoridades britânicas. Relatos de abandono e condições na prisão Os dois estão detidos na prisão de Evin, em Teerã, e dizem que a situação se agravou com o início do conflito regional em 28 de fevereiro. — Agora estamos em uma prisão em uma zona de guerra — afirmou Craig: — Passamos de uma situação desafiadora para uma situação que ameaça nossas vidas. Vocês escolheram não nos dar nenhuma informação sobre o que está acontecendo conosco, o que fazer e para onde ir caso as portas da prisão se abram. O Ministério das Relações Exteriores britânico declarou que "as sentenças de Craig e Lindsay são completamente chocantes e totalmente injustificáveis". As autoridades disseram que vão continuar a tratar o caso "com determinação junto ao regime iraniano até que Craig e Lindsay retornem com segurança ao Reino Unido e se reúnam com sua família". O casal foi detido durante uma viagem de moto ao redor do mundo. Segundo a família, eles estavam no Irã com vistos válidos, acompanhados por um guia turístico e seguindo um roteiro aprovado. Ainda assim, foram acusados de espionagem e condenados a 10 anos de prisão após o que os familiares classificam como um "julgamento simulado". De acordo com o filho, as condições na prisão são "terríveis", com falta de atendimento médico, escassez de alimentos, celas superlotadas e camas de metal sem colchões. Ele também relata que explosões recentes, atribuídas a ataques dos Estados Unidos e de Israel, têm gerado ondas de choque que atingem a unidade prisional. Bennett afirmou que os pais não foram informados sobre a retirada de funcionários da embaixada britânica no país e descreveu o impacto emocional da situação. — Minha mãe está destruída — disse: — Ela passou de alguém que sempre encontrava o lado positivo para alguém completamente perdida. A sensação de ter sido abandonada pelo próprio governo está a destruindo. Críticas à estratégia do governo britânico Ele também relatou dificuldades nas comunicações com os pais: — Nas últimas semanas tive algumas das conversas mais difíceis da minha vida. Tive que dizer aos meus pais que foram condenados a 10 anos de prisão. Tive que dizer que a embaixada britânica havia fechado. E tive que dizer que os ministros foram aconselhados a não declarar publicamente que eles são inocentes, nem a chamar isso pelo que é: uma detenção arbitrária. A ministra do Interior britânica, Yvette Cooper, também classificou as sentenças como "chocantes e injustificadas" e se reuniu com o filho do casal. Bennett também criticou a estratégia do governo, afirmando que países como França e Alemanha conseguiram libertar seus cidadãos por meio de intervenções mais assertivas, enquanto o Reino Unido adota uma postura de cautela. — Enquanto França e Alemanha conseguiram a libertação de seus cidadãos por meio de intervenções assertivas, o Reino Unido permanece preso a uma abordagem de esperar para ver, que já custou aos meus pais quase 15 meses de suas vidas — disse. O governo britânico desaconselha viagens ao Irã e afirma que portar passaporte do país pode ser motivo suficiente para detenção pelas autoridades locais. O casal viajava da Europa em direção à Austrália em uma jornada descrita como "única na vida" e planejava permanecer no Irã por poucos dias. Lindsay Foreman, que atua como coach, registrava durante a viagem relatos sobre o que significa viver uma boa vida.