Jornal O Globo
A empresária e influenciadora Martha Graeff, ex-noiva do banqueiro Daniel Vorcaro, não foi localizada pelas comissões parlamentares que investigam o chamado Caso Master. Convocada a prestar depoimento tanto na CPI do Crime Organizado quanto na CPMI do INSS, ela segue sem responder aos contatos oficiais, a poucos dias das oitivas previstas. Sob expectativa de delação de Vorcaro, Centrão e governo tentam conter dano eleitoral do caso Master Um dia antes de ser preso, Vorcaro pesquisou quem era juiz responsável por investigação A CPMI do INSS aprovou a convocação para esta segunda-feira (23), com depoimento inicialmente previsto para esta semana, enquanto a CPI do Crime Organizado agendou a oitiva para esta quarta-feira (25). Apesar das tentativas de contato, incluindo envio de intimações por e-mail e telefone, com apoio da Polícia Legislativa do Senado, não houve retorno da defesa ou da própria empresária, segundo relatos de integrantes das comissões. Caso não compareça sem justificativa, Martha pode ser alvo de medidas como condução coercitiva ou responder por crime de desobediência. À CNN, o presidente da CPMI do INSS, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que o colegiado poderá acionar o Judiciário para garantir o depoimento. Galerias Relacionadas Suspeitas e papel nas investigações A convocação da empresária ocorre no contexto das apurações sobre possíveis tentativas de ocultação de patrimônio por parte de Vorcaro, alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. As comissões buscam esclarecer se bens teriam sido transferidos para terceiros, incluindo Martha, com o objetivo de dificultar o rastreamento. Relator da CPI, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) argumenta que a influenciadora pode contribuir para o esclarecimento dos fatos por ter sido “interlocutora frequente” do banqueiro. Segundo ele, mensagens apreendidas indicam que Vorcaro relatava encontros, articulações e contatos com autoridades dos Três Poderes, incluindo nomes de alto escalão. As conversas, que vieram a público, também levantaram suspeitas sobre a existência de um grupo apelidado de “A Turma”, que, segundo o parlamentar, poderia atuar de forma organizada para intimidar concorrentes, ex-funcionários e jornalistas. A defesa de Martha Graeff nega qualquer irregularidade e afirma que a divulgação das mensagens representa uma violação da intimidade. O advogado Lúcio de Constantino classificou o vazamento como “grave violência” e sustentou que os diálogos são irrelevantes para a investigação. Quem é Martha Graeff Natural do Rio Grande do Sul, Martha Graeff, de 40 anos, é empresária, ex-modelo e influenciadora digital. Há cerca de duas décadas vivendo nos Estados Unidos, ela reside atualmente em Miami, na Flórida, onde mantém negócios ligados ao bem-estar e à moda. Com mais de 600 mil seguidores nas redes sociais, a influenciadora compartilha conteúdos sobre estilo de vida e já participou de campanhas publicitárias e capas de revistas no Brasil e no exterior. Ela também é cofundadora de iniciativas voltadas ao bem-estar e ações sociais. Martha ganhou notoriedade após o vazamento de mensagens trocadas com Vorcaro, com quem manteve um relacionamento à distância. Os dois chegaram a noivar em 2024, durante um evento na Itália, mas romperam no ano seguinte, pouco depois da primeira prisão do banqueiro. Ela não é formalmente investigada pela Polícia Federal, mas aparece como peça relevante nas apurações conduzidas pelo Congresso. As comissões ainda avaliam os próximos passos caso a empresária continue sem responder às convocações, em um momento decisivo, já que o relatório final da CPMI do INSS está previsto para ser votado nos próximos dias.
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