Irã ameaça bloqueio de estreito do Mar Vermelho se EUA invadirem Ilha de Kharg por terra
Jornal O Globo

Irã ameaça bloqueio de estreito do Mar Vermelho se EUA invadirem Ilha de Kharg por terra

Uma fonte militar do Irã advertiu que o país pode abrir novas frentes estratégicas no Oriente Médio, incluindo na região do estreito de Bab el-Mandeb, caso Estados Unidos e Israel realizem ações terrestres contra ilhas iranianas, como a Ilha de Kharg, ou intensifiquem a pressão sobre Teerã por meio de operações navais. A ameaça envolve uma das principais rotas do comércio global, hoje sob influência dos rebeldes houthis, do Iêmen, aliados do Irã, e amplia o risco de impacto no fornecimento de petróleo e na economia mundial em meio à escalada do conflito. 'Cada centímetro está protegido': General do Irã alerta os EUA para 'custos irreparáveis' de eventual conflito terrestre Análise: Sem a 'derrota decisiva' esperada por Trump, Irã se vê mais empoderado do que antes da guerra O estreito de Bab el-Mandeb liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e ao Oceano Índico e é considerado um ponto estratégico para o comércio global. Por ele, passam cerca de 12% do petróleo transportado por via marítima no mundo, além de uma parcela significativa do gás natural liquefeito. — Se o inimigo tentar qualquer ação terrestre em ilhas iranianas ou em qualquer parte do nosso território, ou tentar impor custos ao Irã por meio de movimentações navais no Golfo Pérsico ou no Mar de Omã, abriremos outras frentes como uma “surpresa” — afirmou a fonte, citada pela Tasnim News Agency. Houthis controlam rota alternativa do petróleo no Mar Vermelho Editoria de Arte / O Globo A mesma fonte mencionou diretamente o estreito de Bab el-Mandeb e disse que o país tem capacidade e determinação para criar uma ameaça concreta na região em caso de escalada das tensões. — Se os americanos pretendem tomar medidas imprudentes em relação ao estreito de Ormuz, devem ter cuidado para não adicionar outro estreito à lista de desafios — acrescentou. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, também afirmou que Teerã possui informações de inteligência indicando que “inimigos” estariam se preparando para tomar uma das ilhas do país com apoio de um Estado da região. Falhas em interceptação levantam questão: Israel superestimou sua capacidade de defesa ou subestimou capacidade de ataque do Irã? "Nossas forças estão monitorando todos os movimentos do inimigo e, se derem qualquer passo, toda a infraestrutura vital desse Estado regional será alvo de ataques contínuos e implacáveis", escreveu Ghalibaf na rede X, sem dizer a qual país se referia. Aliados de Teerã Um dos líderes do movimento houthi do Iêmen afirmou à Reuters que o grupo está pronto para retomar ataques no Mar Vermelho em apoio a Teerã. Desde o início da guerra no Oriente Médio, em 28 de fevereiro, os houthis têm realizado manifestações regulares em sua capital, Sanaã, onde seus apoiadores comparecem em grande número para demonstrar apoio ao Irã. A entrada dos rebeldes no conflito poderia aprofundar a crise global do petróleo e os impactos econômicos da guerra. Nesse cenário, um dos alvos mais prováveis do grupo seria o estreito de Bab el-Mandeb, na costa do Iêmen, uma rota essencial para o tráfego marítimo em direção ao Canal de Suez, especialmente após o fechamento do estreito de Ormuz. Initial plugin text Aliados xiitas do Irã no Líbano e no Iraque já se juntaram à guerra desencadeada por ataques dos Estados Unidos e de Israel contra Teerã. Os houthis, no entanto, ainda não entraram diretamente no conflito, apesar de sua capacidade militar e de seu alcance na região. — Estamos totalmente preparados do ponto de vista militar, com todas as opções em aberto. Quanto aos detalhes sobre o momento exato de agir, isso cabe à liderança. Estamos monitorando os acontecimentos e saberemos quando será o momento adequado para avançar — disse o líder houthi, que pediu anonimato. — Até agora, o Irã está se saindo bem e derrotando o inimigo todos os dias, e a batalha está evoluindo a seu favor. Se algo contrário a isso acontecer, então poderemos reavaliar — acrescentou. Teerã: Em resposta oficial à proposta dos EUA, Irã reafirma suas cinco condições para pôr fim a conflito; veja quais são Nos últimos anos, os houthis já demonstraram seu poder nas áreas próximas ao estreito de Bab el-Mandeb ao lançar ataques com drones e mísseis que interromperam temporariamente o tráfego no Mar Vermelho e no Canal de Suez, forçando navios a desviar pela costa da África, uma alternativa mais longa e custosa. Diante desse histórico, EUA, Israel e países do Golfo acompanham de perto qualquer sinal de escalada por parte dos houthis e evitam ações que possam provocar novos ataques. A Arábia Saudita, por exemplo, que já travou guerra contra o grupo, mantém desde 2022 um acordo informal para preservar a estabilidade mínima necessária ao escoamento de petróleo. Atualmente, o país consegue contornar parte do bloqueio iraniano no estreito de Ormuz ao enviar petróleo por oleodutos até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho. De lá, os navios seguem por uma rota próxima às áreas controladas pelos houthis, mantendo as exportações sob risco. Presidente dos EUA: Trump diz que Irã 'quer muito fechar acordo', mas teme retaliação 'do próprio povo' Cerca de 90% do petróleo transportado por via marítima depende de um número reduzido de rotas estratégicas — oito ao todo — o que torna o fluxo global altamente vulnerável. Entre os principais gargalos estão os estreitos de Ormuz e de Bab el-Mandeb, além do Estreito de Málaca, no Sudeste Asiático, pontos cuja interrupção pode afetar rapidamente o comércio e os preços de energia. Desde o início da guerra, o preço do petróleo e do gás tem registrado forte alta no mercado internacional, refletindo o risco sobre essas rotas e a possibilidade de novas interrupções no fornecimento global.

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